Beatrice esta com 2 anos e 10 meses e tem uma boa desenvoltura no português. Ela
canta, conta historias, inventa diálogos, fala no plural, conjuga verbos e
estabelece situações no passado. A conquista da fala em si é algo incrível e
quando ela vem com um segundo idioma acoplado, posso dizer que é encantador e
comprova que a mente de uma criança é ativa, incansável e extremamente
absorvente.
O português é a sua língua materna, faz parte da sua cultura
e será sempre o elo de comunicação conosco e com o restante da família. Ela será
alfabetizada em francês e acredito que mais tarde, depois do domínio deste
idioma, aprendera a ler e escrever em português.
Ela também fala francês, mas, por enquanto, as frases são
mais especificas e é nítida a sua evolução depois que as aulas começaram.
Alias, o nosso plano era justamente de que ela começasse com as aulas um pouco
mais adiantado (três meses antes dos três anos de idade) para acostumar-se ao
idioma e de permanecer na escola somente na parte da manhã*. Assim, quando o
ano letivo começar para valer, em setembro, ela estará se comunicando bem em
francês.
Algumas situações vividas na pratica:
*** Ontem voltávamos da escola ela falou « je porte mon sac
a dos, avec mes jouets » (eu levo a
minha mochila com os meus brinquedos). A frase completíssima não foi ensinada
em casa, é fruto de influência externa. Com isso fica claro que as aulas, os
amigos, as professoras, os livros, DVDs, musicas e o que tudo mais que se
relacione ao idioma francês será naturalmente (e lindamente) incorporado ao seu
vocabulário.
*** Dia desses pronunciei o nome da Madame “MURIEL”, que é a
assistente da sala de aula. Falei o U como o nosso U, de urso. Béatrice falou, (não
mamãe) “é MIIIIIIRRRIEEEELLL”, com biquinho e o U com som de “i”. Durma com esse barulho minha gente! A correção
veio pronta, na hora.
*** Às vezes ela inventa conversas, diálogos, finge que lê e, o
que sai da sua boca, não é nem francês, nem português. Pela “musicalidade” e
nuances de entonação da sua voz, percebo que ela “tenta” (incansavelmente)
falar em francês. Eu compararia a um bebê que balbucia e ensaia suas primeiras
palavras.
*** Falando em inventar, Béatrice cria novas palavras misturando os dois idiomas, especialmente nos diminutivos. Assim, bonequinha (petite poupée) vira “poupéeZINNHA” (ela fala pupezinha) e ovelhinha (petit mouton) vira “moutonZINHO” (ela fala mutonzinho).
*** Ela demonstra curiosidade em relação o idioma quando
pergunta, "mamãe, como é blusa em francês?" ou "mamãe, como é
pirulito em francês?". Ela tem consciência de que ha duas formas
de falar a mesma coisa.
*** Ela tem vários livros em francês. Ela pede lermos a historia
em português (e invariavelmente, eu conto de um jeito e Junior de outro, cada
um com sua versão e tradução!) e, às vezes, pede para ser contada em francês.
Agora, se um francês nativo ler a mesma historia, ela ouve atentamente e, até o
presente momento, nunca pediu para ativar a tecla SAP para fazer a leitura em
português.
*** E ela tem vários livros, DVDs e CDs de musicas em português.
E com isso mantem-se conectada com o idioma. Com isso esperamos manter acesa a chama do
idioma pátrio, pois sei que daqui para frente haverá um estreitamento natural (imposta
pelo meio) com a língua francesa.
Eu acho um privilegio aprender um segundo idioma de forma
espontânea e natural. Estou curiosa para ver a Béatrice daqui uns anos falando
como uma francesa nativa, com direito a biquinho, finesse e élégance. Que marrrravilha!
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“Os anos vitais
Há um mestre vigilante dentro da parte mais intima de cada
criança, o qual poderíamos dizer, sabe obter os mesmos resultados em todas
elas, em qualquer pais onde elas se encontrem. A única linguagem que o homem
aprende perfeitamente é, sem duvidas, aquela aprendida na primeira infância,
que nenhuma pessoa poderia lhe ensinar. Se mais tarde a criança aprender outro
idioma, com a ajuda de algum professor, não obterá o mesmo resultado, a mesma
exatidão que ele poderia ter adquirido na primeira infância. Existe uma força psíquica
que ajuda o seu desenvolvimento. E não somente para a sua linguagem; aos dois
anos, ela sera capaz de reconhecer as pessoas e todos os objetos do seu meio.”
O período sensível da linguagem em uma criança, segundos os
estudos de Maria Montessori, vai do nascimento até os seis anos de idade. Por isso
que para nos, adultos, há maior dificuldade e maior empenho em aprender um
segundo, terceiro ou tantos idiomas, o que, para uma criança, é absorvido com facilidade e naturalidade.
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O post de hoje é relacionado com a Blogagem Coletiva das
Mães Internacionais e quer saber como outras mães brasileiras vivem com dois,
três, quatro, cinco idiomas ao mesmo tempo? Clica aqui, vale a pena a leitura.




