Ano que vem promete grandes mudanças na vida e rotina da minha « petitA». Ela completará três anos e entrará para a Maternelle. Ficará boa parte do dia na escolinha e somente às quartas-feiras, como todo sistema escolar francês, será o dia de ficar em casa. Falta um bom tempo para isso tudo acontecer, mas desde já preocupo-me com a sua adaptação e integração com as crianças, professoras e assistentes.
Acho importante que ela conviva com outras crianças e tenha contato mais intenso com o idioma. Como ela é filha de estrangeiros é fundamental que ela seja compreendida e que compreenda o que os outros falem com ela. E, lógico, fico apreensiva só de imaginar que ela poderá sentir minha falta, chorar e de não receber toda atenção maternal que ela merece.
Ok, admito: a grande verdade é que EU tenho que estar psicologicamente preparada para ficar longe dela e me virar com o vazio e silêncio que tomarão conta daqui de casa. Ao mesmo tempo que desejo o silêncio e um tempo para mim e sei que vou sentir uma falta imensa da minha tagarela e ouvir mamãe o dia inteiro. Mãe é sentir essa tal dualidade de sentimentos de tempos em tempos. Normal.
A Béatrice da sinais claros de que dará conta de ficar longe da mãe dela (humf !). Prova disso é quando recebemos visitas e ela esquece que tem pai e mãe e prefere brincar e fazer gracinhas para os outros. Dia desses o vizinho estava com os netinhos em casa e chamaram-na para brincar. Ela deu tchau mamãe e voltou para casa 30 minutos depois, querendo apresentar seus brinquedos para a sua nova amiguinha Chloé.
Se depender do desprendimento dela, acho que posso ficar tranquila.
Tem ainda o lado B. Eu sou mãe 24 horas, passo, lavo, cozinho, faxino (ufa !) e tenho sim os meus dias de perrengue, TPM medonha – entenda-se mau humor daqueles - e vontade de fazer as coisas do começo ao fim, o que é bem dificil quando se tem filha pequena, que demanda atenção e que sempre pede para brincar e passear com a mamãe.
Quer um exemplo básico? Você consgue imaginar o que é fazer depilação com cera quente em casa e a Béatrice por perto querendo ajudar, fascinada com aquela goma marrom com jeito de massinha? (pausa * sim amiga, esta é uma das habilidades adquiridas graças ao morar num pais cuja filosofia é a do faça você mesma * despausa). Tai uma coisa que não consigo fazer até o fim e invariavelmente faço em parcelas. O Juju já conhece o meu lado Ana-Monga, metade do corpo macaca e aoutra aquela mulher lisinha que ele um dia conheceu. Um horror e so mesmo muito amor para dormir com uma macaca ao lado.
Então, ja deu para perceber que o tempo não me pertence, ele é contado e regulado de acordo com a rotina da Bê, o que às vezes é desgastante. Quero deixar claro que não estou reclamando, mas tenho consciência de que é importante ter um tempo para mim, seja ele para ler, blogar, frequentar um curso de corte e costura, tricô, moda, estudar, fazer ginastica, varrer a casa assoviando e até depilar-me de cabo a rabo tranquila, numa boa. Sem contar alguns projetos que estão fervendo na minha cabeça e que estão na hora de serem executados.
E tem ainda o lado C. Morar longe da família (especialmente as avos) requer uma rede de apoio que eu possa confiar quando tiver um compromisso de urgência ou ir a algum lugar em que a Béatrice não poderia, em tese, estar comigo. Pode ser uma consulta médica ou dentista, cortar o cabelo ou até mesmo ir à feira num dia muito frio. Por mais que eu tenha vizinhos velhinhos-simpaticos, gentis e que são os avos-franceses-postiços da Béatrice (e que ela os adora), e que eu sei que posso contar, eu não me sinto à vontade para deixa-la sempre que eu precisar. Até agora eu e Junior demos um jeito de contornar a situação e foram algumas vezes que ele saiu no meio do expediente para que eu fosse a uma consulta médica.
Então, pensando nestes fatores, chegamos a conclusão de que a Garderie, que é uma espécie de creche, seria uma boa e segura alternativa.
Há um mês entregamos os documentos requisitados e recebi a confirmação de que o primeiro dia de Garderie será 23 de agosto. Hoje faremos uma visita ao estabelecimento e conversaremos com as profissionais.
A princípio ela ficara uma hora durante duas vezes por semana e serão quatro semanas de adaptação. Depois a carga horária aumentara para duas horas. Se ela se adaptar, poderá ficar meio período, duas vezes por semana, o que eu acho suficiente, não preciso mais que isso. Custara 1,90 euros a hora de permanência.
A princípio ela ficara uma hora durante duas vezes por semana e serão quatro semanas de adaptação. Depois a carga horária aumentara para duas horas. Se ela se adaptar, poderá ficar meio período, duas vezes por semana, o que eu acho suficiente, não preciso mais que isso. Custara 1,90 euros a hora de permanência.
As lágrimas querem saltar dos meus olhos só de pensar que passaremos uma horinha longe uma da outra. Mas sei que isso é importante para nos duas. Para ela virão os amiguinhos, as atividades interessantes do lado de fora da porta de casa, o aprender a dar tchau mamãe e entender que a mamãe voltará. Para mim, um modo de organizar o meu tempo e aceitar que ela pode receber os cuidados e atenção de outras pessoas. Será que consigo?
Béatrice, filha querida, lembre-se sempre que eu confio nos seus passos. Eu sinto que você está mais segura que a mamãe. Caminhamos juntas para uma nova fase, aprendemos aos poucos, a nos separar. Lembre-se que embora eu não esteja por perto, estarei sempre com o meu coração junto ao seu.
