19 août 2011

Aprendendo a separar-se

Ano que vem promete grandes mudanças na vida e rotina da minha « petitA». Ela completará três anos e entrará para a Maternelle. Ficará boa parte do dia na escolinha e somente às quartas-feiras, como todo sistema escolar francês, será o dia de ficar em casa. Falta um bom tempo para isso tudo acontecer, mas desde já preocupo-me com a sua adaptação e integração com as crianças, professoras e assistentes. 



Acho importante que ela conviva com outras crianças e tenha contato mais intenso com o idioma. Como ela é filha de estrangeiros é fundamental que ela seja compreendida e que compreenda o que os outros falem com ela. E, lógico, fico apreensiva só de imaginar que ela poderá sentir minha falta, chorar e de não receber toda atenção maternal que ela merece.   




Ok, admito: a grande verdade é que EU tenho que estar psicologicamente preparada para ficar longe dela e me virar com o vazio e silêncio que tomarão conta daqui de casa. Ao mesmo tempo que desejo o silêncio e um tempo para mim e sei que vou sentir uma falta imensa da minha tagarela e ouvir mamãe o dia inteiro. Mãe é sentir essa tal dualidade de sentimentos de tempos em tempos. Normal.




A Béatrice da sinais claros de que dará conta de ficar longe da mãe dela (humf !). Prova disso é quando recebemos visitas e ela esquece que tem pai e mãe e prefere brincar e fazer gracinhas para os outros. Dia desses o vizinho estava com os netinhos em casa e chamaram-na para brincar. Ela deu tchau mamãe e voltou para casa 30 minutos depois, querendo apresentar seus brinquedos para a sua nova amiguinha Chloé. 




Se depender do desprendimento dela, acho que posso ficar tranquila. 




Tem ainda o lado B. Eu sou mãe 24 horas, passo, lavo, cozinho, faxino (ufa !) e tenho sim os meus dias de perrengue, TPM medonha – entenda-se mau humor daqueles - e vontade de fazer as coisas do começo ao fim, o que é bem dificil quando se tem filha pequena, que demanda atenção e que sempre pede para brincar e passear com a mamãe.




Quer um exemplo básico? Você consgue imaginar o que é fazer depilação com cera quente em casa e a Béatrice por perto querendo ajudar, fascinada com aquela goma marrom com jeito de massinha? (pausa * sim amiga, esta é uma das habilidades adquiridas graças ao morar num pais cuja filosofia é a do faça você mesma * despausa). Tai uma coisa que não consigo fazer até o fim e invariavelmente faço em parcelas. O Juju já conhece o meu lado Ana-Monga, metade do corpo macaca e aoutra aquela mulher lisinha que ele um dia conheceu. Um horror e so mesmo muito amor para dormir com uma macaca ao lado. 

Então, ja deu para perceber que o tempo não me pertence, ele é contado e regulado de acordo com a rotina da Bê, o que às vezes é desgastante. Quero deixar claro que não estou reclamando, mas tenho consciência de que é importante ter um tempo para mim, seja ele para ler, blogar, frequentar um curso de corte e costura, tricô, moda,  estudar, fazer ginastica, varrer a casa assoviando e até depilar-me de cabo a rabo tranquila, numa boa. Sem contar alguns projetos que estão fervendo na minha cabeça e que estão na hora de serem executados.


E tem ainda o lado C. Morar longe da família (especialmente as avos) requer uma rede de apoio que eu possa confiar quando tiver um compromisso de urgência ou ir a algum lugar em que a Béatrice não poderia, em tese, estar comigo. Pode ser uma consulta médica ou dentista, cortar o cabelo ou até mesmo ir à feira num dia muito frio. Por mais que eu tenha vizinhos velhinhos-simpaticos, gentis e que são os avos-franceses-postiços da Béatrice (e que ela os adora), e que eu sei que posso contar, eu não me sinto à vontade para deixa-la sempre que eu precisar. Até agora eu e Junior demos um jeito de contornar a situação e foram algumas vezes que ele saiu no meio do expediente para que eu fosse a uma consulta médica.



Então, pensando nestes fatores, chegamos a conclusão de que a Garderie, que é uma espécie de creche, seria uma boa e segura alternativa. 




Há um mês entregamos os documentos requisitados e recebi a confirmação de que o primeiro dia de Garderie será 23 de agosto. Hoje faremos uma visita ao estabelecimento e conversaremos com as profissionais. 


A princípio ela ficara uma hora durante duas vezes por semana e serão quatro semanas de adaptação. Depois a carga horária aumentara para duas horas. Se ela se adaptar, poderá ficar meio período, duas vezes por semana, o que eu acho suficiente, não preciso mais que isso. Custara 1,90 euros a hora de permanência. 




As lágrimas querem saltar dos meus olhos só de pensar que passaremos uma horinha longe uma da outra. Mas sei que isso é importante para nos duas. Para ela virão os amiguinhos, as atividades interessantes do lado de fora da porta de casa, o aprender a dar tchau mamãe e entender que a mamãe voltará. Para mim, um modo de organizar o meu tempo e aceitar que ela pode receber os cuidados e atenção de outras pessoas. Será que consigo? 





Béatrice, filha querida, lembre-se sempre que eu confio nos seus passos. Eu sinto que você está mais segura que a mamãe. Caminhamos juntas para uma nova fase, aprendemos aos poucos, a nos separar. Lembre-se que embora eu não esteja por perto, estarei sempre com o meu coração junto ao seu. 

8 août 2011

Dica de filme para mães blogueiras


Sabe o que fizemos no final de semana? 




Alugamos alguns filmes e passamos boa parte do tempo dentro de casa. Parece inacreditável estarmos em agosto com o clima outonal do lado de fora da porta. Um saco. Espero que as previsões da «Madame Meteô » estejam corretas, de que fara sol a partir de quarta-feira. Assim espero, pois, honestamente, dias ensolarados, com direito a banhos de mangueira, piscina, passeios, pés descalços e piqueniques são bem mais interessantes que ficar entocados. 

Mas eu queria mesmo é falar do filme Motherhood (aqui recebeu o titulo deMaman, mode d’emploi), com a Uma Thurman

Eu julgaria o filme bem fraquinho se não fosse mãe e tivesse um blog. Sério. O filme não é lá grandes coisas e com certeza os cinéfilos mais exigentes irão detestar. Agora, como eu estou numa condição bem particular de ser mãe em tempo integral e ter um blog pra chamar de meu, devo confessar que achei o filme engraçadinho. 

Foi inevitável enquadrar-me em algumas situações e aposto que você, mãe e blogueira, ira concordar comigo, quer ver? Olha so alguns trechos :


** Mãe acorda antes de todos. Tira foto da filha que dorme, vai para a cozinha, prepara o café e o lanche das crianças. Sobra uns cinco minutos. Ela liga o computador, posta algo e logo em seguida surge um comentário. Oh (!!), que surpresa, a mãe do Fulaninho (que ela conhece tão bem, fruto da amizade virtual) responde imediatamente. Ela fica feliz. 

** Família acorda e começa a correria para ir a escola. Mãe ajuda o pai a levar as crianças até o carro e, já na rua, se da conta que ainda esta de pantufas, pijama e descabelada. 

** A manhã é curta, mas ela encontra um tempinho para ver os blogs «daZamigas ». Posta mais um pouco e vê que o dia será  longo, com uma lista I M E N S A de coisas para fazer. 

** Começa a outra correria: fazer compras no supermercado, preparar a festinha da filha, buscar o bolo encomendado, encher os balões, arrumar a decoração e lembrancinhas… Ufa, esta (quase sempre) descabelada e nessa altura do campeonato e já arranjou briga com meio mundo, pois alguma coisa ou outra não saiu exatamente como planejado. 

** Vai com o filho caçula no parquinho e leva consigo o computador. Um tempinho que sobra, esta ela lá, postando. 

** Surge um concurso interessantíssimo voltado às mães e justamente na data fatal para entregar o texto, tem a festinha de aniversário da sua filha. A decisão é cruel: escrever algo que ela julga importante e estar 100% presente na festinha da filha. O que fazer? 

** Embora curto, ela teria tempo disponível para escrever e, porque não o faz? A resposta é simples : a inspiração não aparece com hora marcada. Ela aparece justamente quando o filho esta querendo sua atenção e querendo brincar. 

** Marido percebe que o blog é algo realmente importante para sua esposa e, vendo que ela esta desorganizada com os afazeres domésticos e sobrecarregada com os cuidados das crianças ele resolve apoia-la. Ele ganha uma grana extra e decide contratar uma babá  para ficar com o filho mais novo,  matricular a filha mais velha numa creche e comprar uma máquina de lavar louça. Tudo isso para que sua esposa tenha mais tempo para si mesma e dedicar-se ao seu blog. Ele conclui que a organização tambem afeta na qualidade do tempo que a esposa tem junto com os filhos.


** Siiim, o marido ajuda, mas nunca é suficiente para a sua esposa. Ele poderia fazer, sempre, algo mais.

Qualquer semelhança com a realidade da vida privada, é mera coicidência (cof-cof). Agora, vamos falar a verdade: alguém ai ja viu esse filme ??

Vou deixar o trailler para darem uma espiadinha e fica ai a dica para um dia a toa em casa.