20 juin 2011

Quem cuida dos nossos filhos - França


Mais uma vez participo das blogagens coletivas do grupo de mães que moram fora do Brasil. Prometo que os próximos posts trarão novidades e traquinagens da Mademoiselle Béatrice. Podem ter certeza que a minha ausência por aqui tem a ver com a vida de madame, que inclui dar conta dos afazeres domésticos, cuidar e educar um pequeno ser no auge da fase de «caprices» (ficou bonita a palavra birra em francês né não?). Sem contar que tenho a forte tendência de dormir cedo, junto com as galinhas. Dai a minha maior dificuldade em escrever algo no horario onde estou realmente bem livre, da meia-noite às seis da manha... Minha cabeça e corpo não agem com tanta eficiência e criatividade nesse horarios.

Bem, mas deixo as justificativas (mequetrefes) de lado para falar um pouco sobre a blogagem coletiva de hoje: com quem ficam as crianças enquanto as suas mães trabalham?

Primeiramente, vem as «nounous» - São como as babás são chamadas aqui na França. Elas não usam uniforme branco e não ficam 24 horas em função da criança, morando na casa dos pais ou com direito à cama no quarto do bebê. Aqui a relação é estritamente profissional. A denominação nounou (a gente fala nunu) vem de «nourrice». Eram as enfermeiras de antigamente e que eram carinhosamente chamadas de nounous. Hoje esse termo é utilizado para a profissional que acolhe e cuida das crianças em sua casa.

Na França, desde 01 de janeiro de 2007, elas são obrigadas a cumprirem 60 horas de curso a cargo do departamento*. Têm que aguardar aproximadamente 6 meses para o pedido ser aprovado para, enfim, acolher as crianças em suas casas. Dois anos apos o inicio da atividade, as nounous passam por um treinamento adicional de mais 60 horas. As 120 horas lhes renderão um Certificado EP1 que corresponde à sua capacidade de atuar na primeira infância (0 a 3 anos). Elas também podem prestar exames e adquirir capacitação/diploma para trabalharem nas creches. As assistentes maternais volta e meia são fiscalizadas pela PMI (Protection Maternelle et Infantile).

Este tal de PMI tem como intuito atender às necessidades e proteção às mães e crianças. Na cidade onde moro há um centro PMI, e uma funções é a de  acompanhar os estabelecimentos e serviços direcionados às crianças menores de 6 anos de idade. Como disse acima, as nounous também são fiscalizadas pelo PMI. Como exemplo, a residência de uma baba deve atender às normas de segurança para previnir acidentes aos pequenos. Eu diria que nada mais são do que medidas de bom senso, tais como ter as tomadas protegidas e não ter acesso à piscina.

Em resumo, as babas são reconhecidas e credenciadas pela região local. Uma das formas de encontra-las é dirigir-se à prefeitura e solicitar a lista dessas profissionais.

Formas privadas de guarda de crianças à domicilio (au pair) e a guarda familiar compartilhada (garde partagée) – Ha sim a possibilidade de contratar uma pessoa para cuidar das crianças na casa dos seus responsaveis. Ela pode ser paga diretamente por eles ou ser vinculada a alguma associação ou sociedade reconhecida e aprovada pelo Estado. Neste caso é muito comum as estudantes fazerem o intercâmbio linguisitico, estudar e cuidar de crianças. São as chamadas au pair.

Os cuidados com as crianças também podem ser compartilhados entre familias. Para este caso, uma familia pode cuidar de um ou mais filhos. A garde partagée também pode ser feito de modo alternado entre as familias e pode haver a divisão de custos.

Mesmo para esse tipo privado de estrutura, é necessario haver aprovação de qualificação de atendimento às crianças, pricipalmente se elas têm um perfil particular (ex: crianças portadoras de deficiência fisica).

Creches coletivas e Garderies - A creche coletiva atende as crianças em idade pré-escolar (admite-se partir de 3 meses) e ela pode ser pública ou privada. Normalmente as creches são muito requisitadas e disputadas e não é raro haver, em determinadas cidades, listas de espera para obter uma vaga. Ha casos em que recomenda-se a inscrição desde a época da gravidez!

As crianças ficam nas creches de segunda a sexta, em periodo integral.

Ja as garderies acolhem as crianças de 0 a 6 anos para dias especificos da semana. As crianças podem ficar por la até no maximo 3 dias da semana em periodo integral. Não mais que isso.

Elas servem de suporte aos pais para fazerem suas atividades e ter um lugar seguro para seu filho ficar. As garderies proporcionam atividades aos pequenos e possibilitam o convivio em coletividade.

Acredito que em breve terei a experiência pessoal para compartilhar a respeito da garderie. A Béatrice esta com 2 aninhos e ano que vem ela ira para a maternelle. Eu gostaria de evitar que ela tivesse um choque de separação e que, também, convivesse mais ativamente com outras crianças. Sera uma otima oportunidade para ela ter mais contato com o idioma, com instrutoras e brincar com amiguinhos. De outro lado, eu eu posso me programar fazer algumas coisas e ter um tempinho para mim (isso é vital!) e, por fim, posso ficar tranquila quando tiver algum compromisso em que seria melhor não leva-la comigo, como é o caso de consultas médicas, etc.

Ja fiz uma visita à garderie da cidade, peguei os papéis e em breve darei entrada no dossiê. O esquema para adaptação é o seguinte: No primeiro mes ela ficara durante 1 hora por semana. Esse tempo aumentara gradativamente até ela sentir-se segura (e eu também!) para ficar meio periodo e, finalmente, ficar o periodo integral. Penso que uma vez por semana sera o suficiente para ela bricar, solicalizar e preparar-se, aos poucos, com o que vira com a escolinha.

Mas isso sera motivo para um outro post !

Quer saber com quem as mães de outros paises deixam seus filhos para irem trabalhar ? Clica aqui no Mães Internacionais para compartilhar experências diferentes.

*A República Francesa é dividida administrativamente em cem departamentos (em francês: départements): 96 departamentos metropolitanos e quatro departamentos ultramarinos (francês:départements d'outre-mer), os DOM. Cada departamento constitui tanto uma divisão administrativa como um estado e uma coletividade territorial (em francês: collectivité territoriale).

12 comentários:

Luciene Gasparotto a dit…

Anna, otimo seu artigo, aprendi bastante e me deu base para considerar como vou fazer com a JUlia até ela estar em idade escolar. Beijos e parabéns

http://www.carrego-no-pano.com a dit…

Ana parabéns pelo post, ficou bem detalhado e completo. Espero que tenha conseguido dormir com as galinhas...rs...sem falar que elas devem dormir tarde com o horario de verao hehe. beijos

Mariana - viciados em colo a dit…

e eu querendo colocar arthur para estudar na mesma escola de alice (que não tem turno integral) e sem saber como farei com ele um turno em casa.

empregada é cada dia mais caro e sei que a que trabalha aqui não dará conta da casa, de alice (que quase não dá trabalho) e de um bebê ativo como arthur...

ai como eu queria estar na finlândia... (lá a oferta está melhor que na frança kkkk)

beijoca

Neda a dit…

Ana, as opções ai na França parecem ser mais "aconchegantes" do que em outros lugares, a maioria tem um ar mais caseiro e em menor escala. Gostei.
BJS

Carol a dit…

Ana, as coisas por aí parecem bem organizadas. muito legal!
Aqui tb tem uma adaptação, mas a mãe vai e fica na escolinha com a criança nos primeiros dias, até ela estar adaptada. Isso pode demorar até 2 semanas, se a professora acha que a criança ainda se sente insegura. Acho muito legal e fiquei bem tranquila para deixar meu filho no primeiro ano de escolinha.
Mas com certeza o esquema deles funciona tb, com tanta organização... :)
Beijinhos!

Clarinha a dit…

Realmente, os franceses cuidam de tudo! Babás registradas e com formação! Adorei! Aqui na Indonésia, só o que há são babás e elas, em geral, trabalham demais e ganham de menos. Um horror! Aqui em casa, temos a ajuda de uma muito boa. Tentamos pagá-la muito bem e dar todos os diretos que teríamos nós mesmos no Brasil. Acho que é o mínimo! Beijos

Cíntia Anira a dit…

Oi Ana.
Aqui na Suécia também existe formação de babás e uma hora chega a custar 350 coroas (87 reais)! No entanto parte desse dinheiro é reembolsado pelo governo, assim como outros serviços. Pagar 100 coroas por hora é quando se contrata serviço "no preto", sem pagar as taxas e não é nada confiável. Mas a licença mater e paternidade na Suécia dura 12 meses, então, é possível cuidar do bebê antes de iniciar o "dagis" (creche)! Seu post ficou ótimo, muito bem explicado!

beijão

Livia Luzete a dit…

Oi Ana, que delícia ficar sabendo mais um pouco de como as coisas acontecem por aí na França. Estou de férias e estarei mais frequente na blogsfera. E vindo esperançosamente ver se vc deixou para dormir um bocadinho depois das galinhas..rsrsr
Beijocas.

Paula a dit…

Olha só que exemplo, parece que na Franca a coisa é bem mais organizada e regulada né? Uma otima opcao pros pequenos ne! Eu deixei selinho pra vc la no blog ta! Beijos

paula

www.diasdesamuca.blogspot.com

MINHA FILHA É ESPECIAL a dit…

oi,,,eu adorei este blog tenha a certeza de que me ajudou muito!!!!


gostaria que vc divulgasse meu blog e também divulgarei o seu,,,obrigada!!!!

http://euedanyellemaeefilha.blogspot.com/

diana mosna

Mariana a dit…

Ola Ana! Sou mãe da Sofia de 30 meses e moro em Paris. A Sofia frequenta a halte garderie desde os 12 meses e aqui o esquema de carga horaria e adaptação é diferente (pelo menos nas municipais). A carga horaria é calculada por meios periodos: no maximo 5 meios periodos por semana ou seja: dois dias integral + meio periodo ou 5 tardes ou manhãs por semana. O que eu mais gosto da garderie é que pedindo com antecedência, os horarios são combinados de acordo com o que precisamos. A adaptação da Sofia durou bem menos de um mês. No primeiro dia ela ficou 1/2h comigo. No segundo 1/2h comigo, 1/2h sozinha. E assim por diante, sendo que no quarto dia ela ja ficou duas horas sozinha. Em menos de duas semanas ela ja ia normalmente para a garderie, todas as tardes. E não tive nenhum problema, ela adorava ir pra garderie desde o principio!

Vanessa a dit…

Ana, tudo bom?

Meu nome é Vanessa a escrevo o blog Mãe é tudo igual. Tenho uma coluna , a Mães pelo mundo , onde publico um bate bola com mães brasileiras no exterior. Quem me passou seu contato foi a Graziela do Faça da sua vida... a última entrevistada do blog. Será que vc toparia responder umas 5 ou 6 perguntinhas ? Adorei essa blogagem, vou fuçar todos os artigos.

Caso tope , responda para maeetudoigual@gmail.com



abraço,

Vanessa