19 mai 2011

Alimentação infantil na França


A culinária francesa é cultura - Em novembro do ano passado, a Unesco atribuiu à gastronomia francesa o status de patrimônio publico «imaterial» da humanidade. O cuidado com o alimento e o ritual da sucessão de pratos (entrada, prato principal e sobremesa), realmente faz parte da identidade dos franceses. Posso garantir: se algum dia você for convidado(a) para jantar ou almoçar na casa de algum francês, você terá o ritual da mesa. Observara, também, que há um cuidado especial com a estética do prato, mesmo que o detalhe seja uma folha de salsinha, mas ela esta lá para dar um toque final. Eles são apaixonados por novas receitas e ao mesmo tempo são arraigados aos pratos tradicionais, como o bœuf bourguignon, pot-au-feau ou ratatouille. Todos têm essas receitas na cabeça. 

Ao contrário dos brasileiros, eles usam menos sal e açúcar e privilegiam as épices (os temperos, as especiarias). Muitas vezes fui surpreendida com a explosão de sabores e as suas sutilezas. Dia desses a vizinha trouxe-me um empanado de flor de acácia (isso mesmo, a flor!). Era uma espécie de bolinho de chuva, mas recheado com acácias. O gosto era perfumado. Algo totalmente diferente, um regalo para as minhas papilas gustativas. A receita bem caseira, representava as boas vindas à primavera.

E, com isso, apresento outra característica marcante: privilegiam-se as frutas, legumes e até flores da estação. Mesmo que o elemento de base seja simples, sempre haverá uma nova receita, uma nova combinação. Como estamos na primavera, encontro muitas receitas com framboesas, cerejas, groselhas, morangos. Também é a vez da berinjela, espinafre, aspargos. Eu procuro seguir o calendário das estações, pois os legumes e frutas são frescos, a maioria são produzidos na região e o preço é mais interessante.

Tudo isso para dizer que hoje a minha relação com a comida é diferente da que eu tinha no Brasil e isso também têm reflexos na alimentação da Béatrice, desde a diversificação alimentar. Eu procuro incluir novos sabores, combinações e texturas. E, no final das contas, e todos ganhamos com isso, pois eu e o Ju volta e meia disputamos as comidinhas tiradas de receitas infantis.


A diversificação propriamente dita – Aqui na França o inicio da transição para alimentos sólidos se da a partir dos 4 meses (devido ao tempo da licença maternidade e o fato da maioria das mãe optarem por não amamentar). Entretanto, a orientação de pediatras é para iniciar aos 6 meses. 



O quadro abaixo é idêntico ao ao carnet de santé de acompanhamento pediátrico. Ele contém o que deve ser dado para os bebês e até 3 anos de idade (clicar em cima para ampliar):




Inicialmente vêm os sabores isolados, sem sal, sem temperos, cozidos no vapor. Cenoura, abobrinhas e até mesmo alcachofras. Desta forma o bebê conhece o verdadeiro gosto dos legumes. O mesmo para as frutas. No primeiro momento ela é cozida para depois comer crua. Logo em seguida vêm os purês (batata + alho poro ou espinafre ou vagem, por exemplo). Sucos também podem ser apresentados e tenho como exemplo os seguintes sabores: maçã, uva italia branca, maçã e uva, maçã e cenoura, pêra, pêssego, etc.

Aos sete meses inicia a inclusão de carnes (inclusive peixes magros), queijos, ¼ de ovo cozido (somente a gema). Aos 18 meses o bebê já tem condições de comer o mesmo alimento que é servido à mesa, com a ressalva de que é bem menos temperado. 

O feijão é recomendado a partir de 15-18 meses e o arroz a partir de 8 meses. O mamão é considerado fruta exótica, recomendada, portanto, aos 3 anos de idade. Filha de brasileiros chegados num bom feijão, devo dizer que a Béatrice não precisou esperar 1 ano e meio para provar o seu caldinho. Fez a estreia aos 10 meses e é um dos seus pratos prediletos. Ela adora. Por outro lado, ainda não conhece o mamão papaia fresco e adocicado. 

Tenho preferência pelos produtos orgânicos e temos horta em casa e tem sido uma experiência muito bacana plantar, esperar e colher. A Béatrice participa de todo o processo e põe a mão na terra conosco. Hoje ha mercados especializados em produtos BIO e é crescente o numero de franceses que optam por este tipo de produto. 

Para nos que moramos fora é fundamental dosar o tipo de alimento consumido no Brasil e o que é adotado nos pais onde moramos. Todos ganhamos com isso e posso falar por experiência própria: assim como a Béatrice, passamos por uma fase de experimentar e estamos abertos aos novos sabores que nos são apresentados. Portanto, a diversificação alimentar é tamanho familia! 



Quer saber mais sobre a alimentação infantil mundo afora? Clica aqui no Mães Internacionais. 

17 commentaires:

Clarinha a dit…

Ai, deu água na boca!!! Aqui na Indonésia, a comida é muito gordurosa e apimentada. Mesmo os pequeninos comem frituras. É terrível. Mas, por outro lado, temos aqui quase a mesma variedade de frutas do Brasil. O mamão papaya é sempre fresquinho e João adora.

Beijos

Carol a dit…

Morro de vontade de esperimentar uma verdadeira comida francesa, adoro pratos enfeitados e tb procuro deixar bonitinho em casa, as crianças até melhoram o apetite de ver... rsrsrs Acho que a gente que mora fora do país sai com uma vantagem de um cardápio mais variado e opções para seguir, creio que isso seja muito bom. A horta deve ser demais mesmo... um dia faço aqui em casa tb...rsrsrs
Beijinhos!

Paula a dit…

Nossa Ana Paula fiquei me imaginando no meio dessas especiarias, verduras e explosoes de paladar...sou meio gourmet, adoro receitas novas e na facul aqui a gente teve dois cursos ministrados pelo Cordon Bleu entao vc imagina como eu fiquei empolgadissima com esse seu post. A-DO-Ro!!!

Fá, Mãe da Ana Luiza e do Gustavo! a dit…

Nossa, como é diferente! Adorei!
E ter uma horta em casa é tudo de bom! Na casa da minha mãe nós tínhamos. Plantavamos: milho, aipim, cenoura, beterraba, espinafre, couve, etc... E as frutas? Caqui, morango... saudades desse tempo!

Beijo grande!

Celi a dit…

Que post mais saboroso....rs rs rs
Adoro isso de ter um prato de entrada, prato principal e sobremesa. Além disso, pensar nos detalhes dos pratos. Que maravilha!
Muito bom saber o quanto há variação de alimentos saudáveis por aí.
Fiquei feliz com seu comentário no meu blog. Acabei me esquecendo da variedade dos pães. Uma delícia!
Um beijo e até mais.

a dit…

Aqui em casa eu tb sigo mais a alimentaçao do estilo francês que brasileira. Desde o principio eu dou tudo quase separadinho pro Rafael: cada legume separado no prato, a carne separada, para ele conhecer o gosto de cada coisa. Tudo com pouco ou nenhum sal e com temperinhos gostosos. Qdo cheguei no Brasil achei super estranho a minha sogra fazendo aquelas sopas com um mooooonte de coisa misturada. Nao da' para sentir o gosto de nada!

Puxa, vc tem uma horta! Que luxo! Quisera eu ter uma hortinha..

Carine a dit…

Ficou liiiindo teu post e como dizem as meninas, ele ficou saboroso!
Eta paisinho bom que é esta França né amiga, gente eles adoram comer. Ola so nosso natal, passamos mais de 4h comendo!!! Sao duas entradas, prato grande principal, digestivos, queijos e muitas sobremesas! Champagne e muitos vinhos! adoro festa de natal aqui!!! A familia do meu marido é super fresca, quero dizer francesa, eles fazem sempre um ritual até para comer comida requentada hahahah! adoro! Super beijo!

Cíntia Anira a dit…

Oi Ana! Que delícia de post! Adorei tudo! Sabe que essa semana tinha Ratatouille na creche da Bia e eu lembrei de ti! Beijos

Paloma, a mãe a dit…

Seu post me deixou com água na boca. Se são uma negação em amamentação, os franceses compensam com maestria com a boa introdução (e manutenção) de sólidos, não é mesmo? Neste ponto, são uma referência para todos nós! Aproveite o que há de melhor aí, porque bons hábitos adquiridos desde cedo flumbvalem ouro!
Beijos

Ivone Santiago a dit…

Uauuu!
Senti o gosto do "bolinho de chuva".
Sou apaixonada pela comida pelos deliciosos vinhos franceses.

Beijos.

Lu a dit…

Nossa, q vontade de morar na França!!! Eu e meu marido adoramos experimentar novos sabores, estaríamos feitos por ai!
Adorei o post e tambpem adorei conhecer o teu blog!

Beijos

Grazi a dit…

Ana,

Uma delícia esse seu post.
Tenho a maior vontade de comer pato com laranja.

Mikelli a dit…

uau...é realmente uma culinaria bem sofisticada =) na verdade acho o ritual todo muito legal, mas sempre saia morrendo de fome dos restaurantes franceses haha mas que era gostoso, era. =) as criancas entao ja sao treinadas para serem gourmets! hehe bjs!

Sandra Hellen a dit…

Nossa, fiquei imaginando esse bolinho de flor..rs rs.
E parabéns pela horta em casa, deve ser uma delicia plantar, cuidar e colher. Aqui se faz muito horta caseira no verão...é bom demais colher tomates, pepinos, batatas (clarooo) fresquinhos!!!!!

Beijos

Mamãe Livia a dit…

Oi Ana Paula!
Acho que vc está certíssima: o segredo do sucesso é a diversificação, principalmente para nós que moramos fora do Brasil. O negócio é se adaptar, mas sem esquecer das raízes brasileiras, já que elas também têm muita coisa boa em termos alimentares. Eu também comecei uma hortinha aqui em casa, embora ainda não tenha brotado nada... :( To esperando pra ver se alguma plantinha resolve nascer no meio do frio que anda fazendo por aqui...
Beijos
Livia

Paula a dit…

Ana Paula deixei um selinho pra vc la no blog.

Paula

www.diasdesamuca.blogspot.com

piscardeolhos a dit…

deus abençoe minha sogra francesa :)
e, vou te falar, os resultados são excelentes: meu sobrinho frances (5 anos) come uma diversidade de legumes e com pouquíssimo sal!
mas o que é chique mesmo é ser dona da própria horta, ô inveja branca...
beijos, adorei o post.