19 avril 2011

A amamentação na França - Blogagem coletiva

Quando eu estava gravida, a impressão que tinha era a de que a maioria das francesas não amamentava. Eu nunca havia visto uma mãe francesa com o filhote nos braços com os peitos de fora em plena praça pública. Elas são bem mais «discretas» que as brasileiras. Também percebia uma pressão velada da mídia voltada ao consumo de leite artificial e da mamadeira e as inúmeras variedades disponíveis nas prateleiras de mercados e farmácias.

De fato, eu não estava errada: a maioria das mães francesas não amamenta seus bebês. A primeira confirmação que tive a esse respeito foi ainda na maternidade, pois cheguei a dividir o quarto com uma mocinha que também acabara de parir. Mesmo com os seios fartos, seu bebê estava mamando na mamadeira. Ela privou seu bebê de receber o colostro, a vacina natural, a fonte riquíssima de anticorpos. Assim como ela, boa parte das francesas não têm o desejo de amamentar. Eu diria que elas recusam a amamentação, mesmo sabendo de todos os benefícios que o ato representa.

Elas alegam que a mamadeira proporciona a participação do pai no alimentar e dar atenção ao bebê, ao invés de ficar por conta exclusiva da mãe. Também seria uma forma do casal dividir as tarefas e cuidados com o recém-nascido. Outro motivo seria o de não criar muita dependência, já que o retorno iminente ao trabalho forçaria o desmame, o que poderia gerar desgastes.

Além do mais, não poderia deixar de mencionar que as francesas, por questões culturais, são cheias de pudores. Elas sentem-se constrangidas em amamentar em público, com receio de serem julgadas por ato obsceno. Lembro-me de ter lido artigos com dicas de como amamentar discretamente em lugares públicos, tais como ir ao banheiro de restaurantes ou ficar no carro para ter mais privacidade.

A amamentação prolongada ainda é vista com certo tabu e poucas são as mães que conseguem amamentar seus filhos por seis meses exclusivamente. Segundo o depoimento da psicanalista Dra. Claude Halmos, a amamentação prologada seria uma forma da mãe adiar a independência do filho e seria, ainda, um incentivo à erotização, na medida que o leite passa a ser elemento secundário diante do «prazer» de estar plugado à mãe. E a opinião dessa psicanalista reflete bem o pensamento francês a respeito do aleitamento prolongado. Vai ver é por isso que elas arregalam os olhos quando falo que a Béatrice, com 23 meses, ainda mama no peito. Elas devem pensar que as brasileiras têm como costume amamentar crianças maiores de um ano.

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Segundo estudos comparativos, as norueguesas são as campeãs no aleitamento materno. No norte da Europa, 9 entre 10 mães privilegiam a amamentação, ao passo que, entre 10 mães francesas, apenas 6 amamentam o recém-nascido. Segundo a psicologa Vera Walburg, a falta de informação justificaria esse cenário: «a França tem um verdadeiro problema de informação. Na Alemanha, as mulheres recebem a visita das sage-femme durante três semanas apos o nascimento do bebê. Na França, as mulheres não sabem a quem se dirigir e as informações não são dadas por profissionais da saúde, mas sim por associações.»

Realmente, acho que falta um apoio mais ostensivo no pós-natal, em especial no auxílio à amamentação. Seria bom se houvesse um acompanhamento como foi no pré-natal, este sim, exemplar. Eu tive a feliz oportunidade de ter ajuda de uma sage-femme no inicio da amamentação e esse apoio foi fundamental para que tudo desse certo.

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Mas ha algo a se comemorar. De acordo com os novos índices fornecidos pela La Leche League, verifica-se que entre os anos de 2006 e 2007, houve uma alta regular: 64% de amamentação no nascimento em 2004, 65,9% em 2006 e 66,3% em 2007.

Verifica-se, entretanto, um disparate regional: 90% de mães que moram em Guadalupe (território francês), amamentam seus filhos, contra 78% a 86% verificados na região parisiense. Ainda na capital francesa, entre 56% e 68% das crianças são amamentadas por mais de três meses. E 15% dos bebês amamentados na França tem entre 6 semanas e três meses, e 15% dentro de seis semanas.

Essa disparidade tem fundamento nas diferenças culturais (as mais jovens têm referências de aleitamento na sua infância, no meio familiar) e sociais (tem-se constatado que nas grandes cidades, as profissionais diplomadas amamentam mais).

Embora as francesas estejam, de um modo geral, satisfeitas com a experiência de viver a maternidade, o aleitamento ainda é uma questão difícil e constitui em fonte de dúvidas e de culpa. O jornal La Croix cita que: "A ma informação a respeito do aleitamento implica em culpar a mulher que recusa amamentar, mas igualmente há culpa quando ela decide em fazê-lo, pois ela fica dividida entre o lado pessoal profissional e o seguir o instinto materno.»

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Como se vê, a questão culpa (sentir-se culpada e também de apontarem o dedo) ultrapassa fronteiras. A diferença entre o Brasil e a França, sob o meu ponto de vista, é que no Brasil a amamentação é vista com mais naturalidade e é bem mais incentivada.No Brasil a discussão esquenta quando se trata da optar por parto natural ou cesárea e, aqui, a decisão de amamentar ou não, alcança a mesma proporção.

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Para saber como a amamentação é vista em outros paises, basta acessar este link aqui, no Mães Internacionais.

27 commentaires:

a dit…

Amamentei o Rafael até 1 ano e todos os franceses achavam super estranho. Alguns (homens principalmente) nem sabiam que era possivel amamentar tanto tempo! Olha quanta falta de informação.

Conheci algumas francesas que não quiseram amamentar (nem na maternidade). Uma foi exatamente isso que vc comentou, que queria que o pai participasse igualmente nas tarefas. E outra que via os seios como algo erotico, apenas para o prazer do casal (!!!).

O que eu queria acrescentar é que até mesmo alguns médicos são contra a amamentação prolongada. Quando pedi pro meu gineco para prolongar a pilula especial para quem amamenta, ele arregalou os olhos e me perguntou se eu pretendia amamentar o bebê até 12 anos. Detalhe = o Rafael tinha apenas 6 meses.

Mas eu nunca esquentei a cabeça com o que pensam. Eu fiz o que foi melhor para mim e para o meu filho.

Clarinha a dit…

Legal saber disso! Eu achava que seria diferente na França... mas, pelo que vejo, na Europa toda há muito pudor em amamentar os filhos publicamente. PRa falar a verdade, amamentar pra mim nunca foi pensado como um ato de amor e prazer, mas de necessidade. Eu tive um monte de dificuldades pra amamentar, mas persisti porque aprendi com a minha mãe e outras mulheres da família que os filhos precisam ser amamentados porque o leite materno é o melhor alimento. Então, fiz de tudo pra dar certo. Hoje, só tenho leite de um lado (o lado direito sempre produziu menos, interessante...). Meu filho está com dez meses e ainda mama, só no esquerdo porque chooora sem parar quando insisto no outro. Agora vc é campeã. Dois anos?? U-hu!

PS: fiz umas adaptações no quartinho do João baseadas no seu posto do quartinho da Béa! Depois mostro. Beijos

Lia a dit…

Muito triste esse desprezo cultural pelo aleitamento. Gente, que asneira sem futuro essa história de que o aleitamento "prolongado" (tem gente que acha 1 ano super prolongado) causa problemas psicológicos, dependência, erotização precoce. AFE!! Minha filha é uma das crianças mais sociáveis que eu conheço, e um dos motivos que eu atribuo a isso é a segurança que ela tem nos meus braços e no meu seio. Mamãe está sempre aí pra mim, logo eu não preciso ficar agarrada na barra da saia dela pra ela não fugir. Desmame natural é tudo de bom, sem estresse, sem pressa.

Carol a dit…

Ana Paula, que interessante essa coisa de náao quererem amamentar, mas da pra entender que isso tudo está arraigado na cultura e que precisa de tempo para mudar, o que pela estatísticas que vc conta está acontecendo.... Que bom! Tb amamentei mais de 1 ano meus 2 filhos e tenho saudades agora... Acho uma pena que muitas mulheres fiquem fora desse sentimento por falta de informacao e até por preconceito... Que bom que vc aproveita!
Beijinhos!

Rapha da Alice a dit…

Muito interessante. Eu tenho uma amiga que morou na Holanda e disse que as parteiras iam em casa ajudar também.

Você poderia falar sobre a licença matrnidade aí na Europa? (bem metida eu comentando pela primeira vez e já pedindo um post!)

beijos, adorei o blog


Rapha, da Alice

http://maternarconsciente.blogspot.com/

Ana Paula - Journal de Béatrice a dit…

Dé,
Bem lembrado. A minha médica também não aprova ou apoia a amamentação prolongada, mas eu prefiro desconectar-me d
a Bê gradualmente. Vou driblando.

Clarinha,
Essa é a realidade daqui e o comentario da Dé so reforça o que eu escrevi. Essa diferença cultural da amamentação é gritante. E eu sou aquela "quem te viu, quem te vê", a amamentação tb foi uma grata surpresa da maternidade e eu e Béatrice percorremos um bom caminho juntas. Ela não mama com a frequencia de antes e sinto que estamos a caminho do desmame.
Opa! Estou curiosa para ver o resultado final das adaptações do quartinho do pequeno João.

Lia,
Bem-vinda à realidade... Vc tinha que ver a cara das pessoas quando falo que a Béatrie ainda faz a sua tetê em mim! Sempre dei um jeito da Béatrice mamar onde que que fosse e o sling/pano/écharpe me proporcionava a discrição e atendimento imediato às demandas.

Carol,
A opção de não amamentar é realmente cultural... Nunca vi, por exemplo, propaganda de campanha de amamentação como tem no Brasil. Acho que tem muito a melhorar no que se refere à conscientização das mulheres.

Paloma, a mãe a dit…

É uma pena que seja dada tão pouca importância à amamentação na França. Claro que o fator profissional pesa (como pesa aqui no Brasil), mas acho que o cultural pesa mais. E estas mulheres não têm referência alguma de amamentação. Sim, falta apoio, com certeza, de todos os lados, mas, principalmente, do governo e instituições de saúde.
Beijos

Lu a dit…

Ana Paula. adorei seu post, muito bem escrito e pesquisado. Vejo que aqui na Áustria a questão da amamentação eh muito parecida com a Franca. Apesar do pediatra me aconselhar na amamentação exclusiva ate os 6 meses, existe muito propaganda contrária e muitas mães que simplesmente preferem não amamentar. Bjs.

Carine a dit…

Nossa você falou tudo! O peito aqui na França serve mais para... que para amamentar, e o topless sem problemas para mostrar?! Vem muitas mães nos meus ateliês de carregar bebê e a maioria ja diz aquela frase tipica daqui " se eu nao tiver leite vou dar mamadeira" e eu sempre acabado terminando com a minha reflexao tipica " na Africa todas as mães nem se quer se questionam, elas todas amamentam."
Aqui no mundo "moderno" temos muito que aprender. beijos

Luciene a dit…

Oi colega! Eu também me surpreendi com a postura das francesas. E mais! Ouvi muitas historias de maes brasileiras aqui que foram convidadas a se retirarem de lugares publicos por amamentarem o bebe. Uma teve que deixar o restaurante, o gerente convidou-a a sair do restaurante pois os clientes estavam constrangidos com a cena. Pode?

Cíntia Anira a dit…

Muito bom Ana Paula. E sobre o países de cá, eu observo que a amamentação é respeitada. Beijo

Sarah a dit…

Nossa, não imaginava que aí a amamentação fosse assim! Pensava o contrário, que era mais incentivada, principalmente por saber que vc ainda amamenta a Béa! Uma pena essa postura...
Parabéns por seguir na amamentação!
bjos

Ana Paula - Journal de Béatrice a dit…

oi Alice!
Obrigada pelo comentario aqui no blog!
A licença maternidade na França ja rendeu esse post aqui:

http://journalbebe.blogspot.com/2011/02/licenca-maternidade-na-franca.html

E, para saber como a licença maternidade é praticada em outros paises, é so acessar o site das Mães Intenacionais, neste link:

http://www.maesinternacionais.com/2011/03/13/a-licenca-maternidade-19-de-fevereiro-de-2011/

Paloma,
Sim, muito bem lembrado, as mães francesas atuais não têm referência familiar de aleitamento materno. Ha tempos predomina a geração-mamadeira. Isso é uma realidade.

Carine e Lu,
O comentario de vcs reforçam o que escrevi, pois vocês também vivem na pele a cultura francesa. E, Lu, eu consigo imaginar a cena de pedirem para a mulher retirar-se do restaurante por estar amamentando seu filho, pelo fato de estar incomodando os outros clientes. Triste.

Ana Paula - Journal de Béatrice a dit…

Lu, mãe do Serginho e Mari!!
Vc e sortuda de ter um pediatra que apoia a amamentação exclusiva até seis meses. Embora a pediatra da Béatrice incentivasse, volta e meia ela me perguntava quando eu iria oferecer a papinha, isso quando ela tinha 4, 5 meses. Mas hoje percebo que ela respeita o meu ponto de vista.

eu tamanho família a dit…

Pena mesmo, e eu achando que no primeiro mundo, a importância era maior do que no Brasil, para o ato de amanentar.Eu amementei meus dois filhos com muiiito prazer, uma pena que algumas mães se privem
deste momento tão mágico..
Adorei o blog..já estou seguindo.
Grande abraço
Fer
http://eutamanhofamilia.blogspot.com/

Paula a dit…

Eu realmente fiquei impressionada com os relatos dessa blogagem sobre a relacao com os europeus e a amamentacao, cheio de pudores, devem achar que nos somos indios mesmo hahaha. O meu filho tá com 19 meses e ainda toma peito (já to quase quase tirando) e nao há lugar onde eu va que alguem nao me diga que ele já esta muito grande.....Por outro lado eu sinto muita falta de poder contar com a participacao do pai e por esse lado eu entendo as francesas. Enfim....o tema nao acabaria nunca!! Beijos

Claudia Storvik a dit…

Oi, Ana Paula. Nao tinha ideia que as coisas eram assim na Franca, estou pasma. Parabens pelo post e por ainda amamentar sua filha apesar do preconceito. Bjs.

Ana Paula - Journal de Béatrice a dit…

Fer,
Obrigada pelo comentario!
O não amamentar é uma opção das francesas. E isso é muito claro na cabeça delas e esta arraigado na cultura. Imagino que as brasileiras que leem isso acham estranho, pois no Brasil, ha um movimento maior e consciente quando o assunto é amamentação.

Andrea SV a dit…

Olá, aqui é a Andrea, mãe da Julie, moro no Canadá, mas sou casada com um francês... concordo e assino embaixo em tudo o que vc disse. As francesas pensam mais nelas mesmas que nos filhos, e digo sempre por aqui, que não sei porque elas parem.. deveriam ter cachorros ou peixinhos!

Para a minha "belle-famille", eu sou um ET porque amamento minha filha até hoje, 3 anos e 3 meses. Mas, tudo se justifica, afinal sou brasileira, né? Sim, pq vir de outro mundo, outra cultura, seria a UNICA justificativa para agir assim. Ai, santa ignorância desse povo, né? :)

Beijos para vc. Adorei seu post!

Ivana - coisademae a dit…

Fiquei surpreendida e que pena que ainda não tenham noção da importância do leite materno! Amamentei minhas filhas até o oitavo mês e João, com 1 ano e meio, mama até hoje.

Adorei o post, aprendi muito!

Bjos!

Joice a dit…

Ana Paula fiquei impressionada com os 'costumes' das francesas e doque uma profissional é capaz de argumentar contra a amamentação: "erotização"???? È triste! Adorei o post, super informativo!!! Beijos

Carolina Pombo a dit…

Oi! Adorei o seu texto. Super interessante e contextualizado. Você consegue abordar o problema sem julgar as mulheres francesas. A questão é que a França é o berço do feminismo. E se isso é maravilhoso por um lado, é também um desafio por outro. É um desafio para essas mulheres conciliar a maternidade com a igualdade de gêneros, já que os homens continuam sendo machistas e ainda não participam da vida doméstica o suficiente. Mas, também tem a influência da psicanálise, que não vê com bons olhos a amamentação prolongada. As diferenças são muito interessantes... Beijos

@line a dit…

Ana,
Senti na pele essa diferença na forma de encarar a amamentação aqui na França. Joaquim foi duas vezes a consultas pediátricas de rotina desde que chegamos. A primeira médica me "puxou a orelha" por estar ainda amamentando (ele tinha quase 12 meses), dizendo que caso eu não soubesse, nessa idade a amamentação tinha função apenas emocional. Embora eu não acredite nisso, pensei que este já seria motivo suficiente para continuar amamentando, ligação emocional com meu filho! Já na segunda consulta, ele tinha quase 16 meses, a pediatra (outra desta vez) encarou de maneira super natural o fato de eu estar amamentando. Gostei dela! he he... Eu sempre tive como meta a amamentação exclusiva nos primeiros 6 meses, e consegui. Depois, pensei que enquanto fosse possível e bom tanto para Joaquim quanto para mim, eu continuaria amamentando... e eis que lá se vão 17 meses! E nada indica que vamos parar tão cedo. AMO amamentar!!!
Temos lembrado de vcs constantemente. A saudade só faz crescer!! Maio tá aí e seguimos com a intenção de visitá-los em breve!!! Beijocas de nóis treis proceis!!!

Sarah a dit…

Oi Ana! Voltei pra dizer que adorei seu comentário lá no blog sobre as palavrinhas do Bento. Vc me lembrou que ele também já diz "méida", vivi uma situação parecida com a que vc contou! Aí fiz um segundo post sobre isso, com link aqui pro Journal tá?
beijos!
Sarah
http://maedobento.blogspot.com/

Mirys + Guigo + Nina a dit…

Olá!

Encontrei seu blog, hoje, por acaso (acho que foi num comentário seu no blog "londres com filhos", da minha querida Li) e, quando vi o nome.... "Uau!!! Um blog de mãe!!! Em francês!!! Eu pre-ci-so ver isso". E vim correndo pra cá!!!

VAi entender a loucura... rsrsrsrs

Agora, vou levar um tempinho lendo o seu espaço e, com certeza, nos veremos muito por aqui!

Bjos e bençãos.
Mirys
www.diariodos3mosqueteiros.blogspot.com

Clarinha a dit…

Ana Paula, estava pensando em fazer um post sobre como tentei implantar umas mudanças no quartinho de João e queria fazer um link para o seu post sobre o quarto da Béa. Posso?

Grazi a dit…

Ana Paula,

Eu indiquei o seu blog no meu blog, porque gosto muito dele e de como você escreve.

Mas, qq coisa, se vc quiser eu tiro, é só me falar, ok?

O link é esse:
http://graziescritora.blogspot.com/2011/05/dicas-de-blogs.html