19 février 2011

A licença maternidade na França



Desta vez o tema da blogagem coletiva é sobre a licença maternidade.


Atualmente não mantenho qualquer tipo de vinculo empregatício e remunerado na terra da baguete. Para quem acompanha o blog, sabe que atualmente desempenho importantíssimas funções ligadas ao desenvolvimento de crianças e relações humanas no núcleo familiar. Tal atividade – que alguns denominariam «mãe em tempo integral » – demanda uma carga horária puxadíssima e requer aplicação de criatividade diária, mas o resultado – mesmo ele seja que o sorriso mais lindo e amoroso do mundo – é muito satisfatório. 

Assim, como não gozo do lado pratico no que se refere à licença maternidade, deixarei aqui algumas informações interessantes sobre como ela é tratada aqui na França. Não entrarei nos mínimos detalhes, pois há consideráveis desdobramentos legais e administrativos. A leitura, tenho certeza, seria enfadonha e fugiria muito do foco do blog
 Journal de Béatrice. Em todo o caso, deixarei disponível os links de leitura (em francês), especialmente os de conteúdo oficial. 

E, voilà
, boa leitura!


Da distinção entre licença maternidade (congé maternité) e congé parental – A licença maternidade é o direito que afeta à salariada que se encontra gravida. O empregador tem a obrigação de afasta-la do trabalho durante um período pré e pós-natal, sem prejuízo à sua remuneração.

Já o congé parental, é aquele em que a mãe ou o pai, ou ambos, podem afastar-se do trabalho até a criança completar três anos de idade. Para tanto, há perda salarial e depende de acordo com o empregador.

1. Da licença maternidade (congé maternité) 


Duração da licença maternidade – Compreende o período pré-natal (antes da data presumida do parto) e um pós-natal (depois do parto). A duração é em função de quantos bebês a gravida espera e, também, de acordo com o número de filhos em casa, com idade de até 3 anos de idade. 

O quadro abaixo retrata de forma resumida a duração do « congé maternité »



As particularidades que afetam a duração e aproveitamento do congé maternité – Existem situações que podem afetar na duração do congé, tais como:

  • Estado patológico resultante da gravidez
  • Interrupção da gravidez
  • Parto e bebê prematuro
  • Parto tardio (apos a data estimada, prevista no inicio da gravidez)
  • Hospitalização do bebê
  • Falecimento do bebê
  • Falecimento da mãe do bebê – Neste caso, o pai pode beneficiar-se do período de licença maternidade « pós natal».
  • Amamentação – O código da seguridade social não prevê a licença maternidade específica para o aleitamento materno. Assim, a mãe que amamenta seu filho, não terá prolongamento da sua licença postnatal, salvo previsão em convenções coletivas. Ressalva-se que o aleitamento é autorizado no local de trabalho e durante o tempo de trabalho. O Código de Trabalho Francês prevê que durante um ano, a contar do dia do nascimento, a mãe pode dispor de uma hora por dia durante as horas de trabalho para amamentar seu filho.
E o Plantão do Jornal Nacional informa : No último dia 06 de dezembro, os ministros da UE rejeitaram a proposta de estender o período de licença maternidade para 20 semanas e, ainda, de introduzir a licença paternidade remunerada. O motivo? Aumento excessivo de gastos. Não seria nada mal uma prorrogação de 20 semanas com pagamento de 100% do salario, não? E, ainda, contando com o pai em casa, sendo, igualmente renumerado. Nada mal!


Fonte da noticia  Le Monde, neste link aqui.


2. Congé Parental de Educação


Eis aqui uma grande sacada! - A mãe ou o pai, e até mesmo ambos, podem reduzir a carga horária do trabalho para ficar mais tempo com seus filhos. Há reconhecimento de que é importante aos pais ficarem mais tempo com o seu filho durante a primeira infância, que vai até os 3 anos de idade. A partir desta idade as crianças passam à educação escolar, com a Maternelle. 
Para dar um exemplo, o Junior tem duas colegas que trabalham 80% da carga horária Isso quer dizer um dia a menos de trabalho na empresa para ficarem em casa com seus filhos pequenos. Uma delas tem estudado a possibilidade do marido também ficar um dia em casa. Eles estão aguardando a concretização de alguns planos e verificarão se não afetara sobremaneira o orçamento familiar. Se tudo der certo, os meninos ficarão com seus pais duas vezes na semana.

Bem, mas voltando ao assunto, o congé
 paretal de educação pode ser solicitado a partir do nascimento do bebê ou em casos de adoção de menor de 16 anos de idade. 

O congé
 parental de educação pode ser usufruído até o terceiro aniversário da criança. Se for adoção, considera-se a data de chegada da criança ao lar, como início da contagem de três anos. Durante o período do congé parental, o contrato de trabalho é suspenso. 


E há meios de compensar a “quebra” do orçamento familiar face à redução ou até mesmo supressão do salario de um dos pais? A resposta é sim. Há uma fonte de renda bancada pelo governo para compensar, em partes, o desequilíbrio financeiro da família. 


Se houver enquadramento das condições impostas pela CAF (Caisse d'Allocations Familiales), os pais terão direito à denominada «prestação de acolhimento à criança» (prestation d'accueil du jeune enfant - PAJE). A complementação, mesmo não sendo lá grandes coisas, com certeza é melhor do que nada.


Para concluir este post, percebo que trabalhar e ter um filho pequeno para educar é um grande e importante desafio da mulher moderna. Esta ocupa espaço importante no orçamento familiar e parar de trabalhar, mesmo que parcialmente, afeta drasticamente nas despesas da casa. 


Entretanto, vejo que aumenta o número de mulheres que optam pelo «congé paternal », pois querem passar mais tempo com seus filhos. A partir do momento da chegada da maternidade, as prioridades de uma mulher passam a ser outras, e os filhos vêm em primeiro lugar. E qual mãe não desejaria passar mais tempo com eles ao invés de ficar o dia inteiro numa rotina de trabalho estressante? O meio-termo, de ficar um dia a mais em casa e apertar um pouco as despesas da casa é um caminho salutar e que, no meu ponto de vista, já faz uma grade diferença no acompanhamento e educação dos filhos.


Para saber mais um pouquinho sobre a licença maternidade na França, também recomendo a leitura do blog da Carina, o Carrego no Pano. Alias, boa dica de blog sobre o uso de carregador de bebê (wrap sling), recomendo!


***


Links relacionados com a licença maternidade:


Assurance Maladie - 
CAF - Allocation Familiale


***


Outras mamães de outros paises que também falam sobre a licença maternidade:




Austria - Adeus quilinhos 

Canadà - Colorida Vida

Espanha - Coisas minhas 

Estados Unidos - NY with kids 

Holanda - Family around

Inglaterra - Mother love data base 

Inglaterra - Filhos Bilingues 

Irlanda - Que seja doce 

Irlanda - Ka entre nòs 


Italia - A vida avida 

Monaco - Na casa da Beta

Suiça - Who'd say? 

13 comentários:

O mundo da Dani a dit…

amiga amei esse post internacional;;.rsrsr posso postar ele la no recanto das mamaes blogueiras? acho q sera amanha ta? mas eu t aviso

bjussss

familyaround a dit…

Oi Ana, o aumento da licença aqui na Holanda tb é sempre vetado qdo vai pra votação, desde 2008 estão tentando mudar mas não rola sob a mesma desculpa de que seria um problema aos cofres públicos, oque eu não duvido, mas que seria bom seria.

Bisous

Carol P a dit…

Ana,
O Conge Parental eh barabro pena q nao rola aqui nao Inglaterra. Achoo q seria de grande ajuda, nao me imporatria de receber mas poder ter um hlaf day a week seria otimo.
bj
Carol
http://motherlovedatabase.blogspot.com

Vanessa Ribeiro a dit…

Oi Ana,

Fiquei muito feliz pelo carinho lá no blog e muito triste com a notícia do veto da parlamento europeu :-(

Voltarei por aqui, muito bom conhecer outras mamaes internacionais e compartilhar aventuras.

Vanessa

www.coisasminhas.com

Anonyme a dit…

Anna Paula, quel fraicheur te lire!!!
j'adore ton stylle. Nao tinha te visto na ultima lista, ainda bem que vc passou no blog, vou atualiza-la. Entao vc é uma carregadora?! que otimo né, obrigada pelos comentarios.
beijos e até logo
Carine S.

Dani a dit…

Ana, muito bom conhecer como funciona na França e achei algumas coisas parecidas com o funcionamento na Italia.

Em todos os lugares q li até agora, o direito a 1h para amamentaçao me parece sem sentido. Pq normalmente as pessoas nao moram do lado do trabalho, entao a viu ne..

Adorei o visual novo do blog, ficou lindo e com a cara do caloriznho e dias mais claros q estao vindo.:)

Lia a dit…

Sempre achei que a licença tinha de se maior para mães de múltiplos ou pré-maturos, mas nunca tinha pensado na questão dos irmãos. Muito legal. Mesmo assim, a licença é muito pequena, né? 10 semanas pra você ficar em casa com seu primogênito? Nada.
Mas essa flexibilização de jornada é meu sonho. Francamente, eu preferia ter o direito de reduzir minha jornada até minha filha ter 3 anos do que os meus 6 meses com remuneração e dedicação integral depois!

Patrícia Boudakian a dit…

De todos achei seu post sobre licença maternidade um dos melhores e mais bem detalhados. Parabéns!
Faz tempo que passo por aqui e nunca comento. Mas agora decidi aparecer. Vou te linkar pra não perder de vista.
Beijão!

Clarinha a dit…

Oi, Ana. O blog está muito bonito. Parabéns. Eu tirei seis meses de licença maternidade antes de virmos para Jacarta. A licença terminou quando já estávamos aqui. Foi ótimo, mas tenho certeza de que, se tivesse que voltar a trabalhar, não saberia como fazer. João ainda mama muito no peito! Falando nisso, vc comentou que estava tirando as mamadas noturnas. Como está indo?
Abraços

Carolina Pombo a dit…

Oi Ana, muito bom o post! Estudei esse tema um pouquinho ano passado e, de fato, pelos relatórios do governo francês, as mulheres estão usando o congè parental de forma crescente. A cada ano, mais mulheres optam por educar os filhos em casa. Isso tem gerado uma preocupação com a desigualdade de gêneros no mercado de trabalho e agora as feministas estão batalhando pelo maior envolvimento dos homens nas tarefas domésticas e no cuidado dos filhos. Gosto muito da cultura francesa, apesar de não morar aí, e me inspiro nas conquistas das mulheres nesse país!

Grande beijo

Mariana Della Barba a dit…

Oi, Ana, sou novata no seu blog - adorei!
Ótimo post também! Achei essa congé parental fantástica.
Eu, sem querer abusar, posso tirar uma dúvida contigo? Uma amiga me disse outro dia que amamentar "ta saindo de moda na frança". É por aí mesmo?
merci :)
vou te linkar la no blog.
bjo,

Clarinha a dit…

Oi, Ana. Obrigada pelo convite! Parece legal. Mas eu não tive meu filho aqui em Jacarta, então não usufruí dos sistema indonésio. De toda forma, posso pesquisar, mas já adianto que é bem inferior ao padrão brasileiro. Conheço outras mães brasileiras que engravidaram aqui e foram ter o bebê em Cingapura! Existe até um guia para famílias expatriadas que recomendam sair do país para fazer pré-natal e parto!

Sarah a dit…

Oi Ana Paula! Muito bacana essa blogagem sobre a licença maternidade pelo mundo. Achei muito legal essa possibilidade da redução da carga horária pelos pais! E também nunca tinha pensado na diferença para licença quando se tem mais de um filho.
Ah, adorei o layout novo do blog!
beijos