17 janvier 2011

Blogagem Coletiva – O pré-natal na França


Então que a Dani, do blog Mamães na Itália teve a bacana idéia de juntar as mamães que moram fora da pátria amada para descrever como funcionam as coisas relacionadas à maternidade em terras estrangeiras.

Aderi ao grupo de ultima hora, pois acho valido expormos as diferenças, pois acredito que a troca de informações sempre nos enriquece. Quem sabe, a Dilma, presidente da Republica e, acima de tudo, mulher, leia alguns dos nossos blogs(oi!), veja o que funciona aqui e adapte para o Brasil... Falo isso pela sensação que tenho que as coisas realmente funcionam (vemos o resultado do dinheiro direcionado aos impostos) e tem aspectos positivos, que vale mesmo a pena pensar que também daria certo no Brasil, basta um pouco de boa vontade.

E o tema de estréia foi o pré-natal. E ai vai a minha contribuição de como funciona o acompanhamento do pré-natal aqui na França, cujas etapas e procedimentos são bem definidos.

Primeiro trimestre, bateria de exames e “oficialmente grávida” perante a Seguridade Social Francesa - Assim que a mulher descobre o seu estado “gravídico”, normalmente com o resultado de exame de farmácia nas mãos (como no meu caso, antes mesmo de eu sentir qualquer sintoma de sono, enjôo, etc.), ela deve procurar o medico ginecologista-obstetra. Fora o Beta, será solicitado o exame de sangue geral para: verificação do grupo sanguíneo, doenças infecciosas (toxoplasmose, HIV, rubéola, sífilis, hepatite B e C), contagem de hemoglobina e plaquetas. E, ufa, ainda tem o exame de urina.

Ainda na primeira consulta, será calculada a provável data do parto, com base nas informações da ultima menstruação, período de ovulação... Até ai, normal.

Também é hora de verificar a maternidade mais próxima ou naquela onde se deseja ter o parto e, para quem mora em cidade grande é prudente fazer a inscrição. No meu caso, a ginecologista atendia na maternidade, que fica a 500 metros daqui de casa. Dessa forma, toda a documentação e exames ficaram por la mesmo. Facilidade de morar em cidade pequena!

Verificados os exames, já numa segunda consulta, tive uma das maiores alegrias como mãe de primeira viagem. Pela primeira vez ouvi o som da vida, o coração da Béatrice pulsava forte e ritmado. Que emoção!

A primeira ecografia acontece entre as semanas 9 e 11 de gestação. Lembro que aqui são permitidas somente 3 ecografias durante os nove meses, excepcionalmente, em casos de gravidez de risco, podem ser feitas mais ecografias. Nesse ponto, acredito que seja diferente do pré-natal realizado no Brasil, onde as ecografias, se não me enganam, são a cada consulta com o médico.

Enfim, essa primeira ecografia é de suma importância, pois é verificada a boa formação do feto; será analisada a morfologia do bebê, se esta tudo bem, se não há anomalias.

Na terceira consulta do pré-natal, se tudo estiver OK, se a gestante não sofreu aborto espontâneo e se a gravidez segue normalmente, é hora da burocracia. O médico fornece os documentos para obter a “Declaração de Gravidez”, perante a CAF (Caisses d'Allocations Familiales et à la sécurité). Por meio desse “comunicado” à CAF, é que o bebê terá toda a assistência e controle médico, inclusive no pos-natal (por exemplo, até hoje recebo periodicamente as correspondências com os agendamentos das vacinas que a Béatrice deve tomar).

Bem, devo dizer que todo o sistema de saúde francês é Publico. Também temos o “complemento”, uma espécie de plano de saúde. Não vou entrar nos mínimos detalhes de como funciona o sistema de seguridade por aqui, mas funciona mais ou menos assim: a saúde é sem custo para as pessoas até um determinado patamar de renda. De acordo com os rendimentos, o Estado passa a arcar com parte das despesas, ficando o restante para o contribuinte. E é ai que entram os planos de saúde, para complementar a parte fornecida gratuitamente pelo Estado. No final das contas, somos reembolsados com os gastos que temos com o uso do plano de saúde (aqui chamado de Mutuelle). Funciona de forma exemplar e a prestação do serviço, no meu ponto de vista, não deixa a desejar.

***
 
Segundo trimestre, segunda ecografia e sexo do bebê – Acho que são os três meses mais tranqüilos para a grávida e isso reflete no andamento do pré-natal. As visitas ao médico servem para verificar o peso, pressão, taxa de albumina e ritmo cardíaco do bebê. Também é no segundo trimestre que a grávida fará o exame de taxa de glicemia, para verificação de diabetes gestacional. Verifica-se, igualmente, como vai o crescimento do bebê e verificação do colo do útero por meio de exames de toque.

Se o bebê permitir, se a posição ajudar, é possível saber o seu sexo. Eu só fui saber que esperava uma menininha quando completei 5 meses de gravidez. Esse segundo US tem a finalidade de verificar se esta tudo OK com o crescimento e formação do bebê.

Terceiro trimestre, a Sage-femme e curso preparatório para o parto – Nessa ultima etapa a sage-femme entra fortemente em cena. Ela é a enfermeira obstetra e ela realizara o parto. Eu escrevi algo sobre a sage-femme neste post aqui, bem no auge da minha gravidez. Chamou-me muito a separação das funções, nessa reta final, entre o médico obstetra e a sage-femme. Ficou nítido que àquele recai a função de verificar os exames e, esta ultima, o verdadeiro suporte para a preparação ao parto natural (sim aqui cesárea jamais será escolha da mãe, isso é uma aberração. Ela é recomendada em casos realmente necessários, já que é uma cirurgia).

Só não digo que a sage-femme é parteira devido a sua formação profissional. Parteira, no meu ponto de vista, é mais que uma vocação, é um DOM e, para isso, não há necessidade de diplomas (como o caso da minha bisavó, sem estudos, mas parteira de mão cheia!). Mas, enfim, cabe à sage-femme, dar todo o apoio e suporte para a gestante no momento do parto. E é ela quem conduz o curso preparatório.

Bem, mas voltando ao ultimo trimestre...

O obstetra verificara, até o fim, os exames de sangue, controle de peso, pressão da futura mamãe e ritmo cardíaco do bebê. A terceira e ultima ecografia será feita no oitavo mês de gestação (entre 31 – 33 semanas). Ela servira para fazer um balanço de saúde do bebê, se tudo vai bem e verificação da placenta.

Eu falei sobre a minha terceira ecografia neste post aqui e contém mais informações.

No nono e ultimo mês é realizada a reunião com o anestesista, que explicara todo o procedimento da peridural, caso ela seja solicitada durante o trabalho de parto. Assina-se um termo de responsabilidade envolvendo esse procedimento.
 
O curso de preparação ao parto segue a todo vapor. Os encontros com a sage-femme serve para aprendermos as técnicas de respiração, utilização de materiais para o parto como a bola suíça e as almofadas. Os pais aprendem a fazer massagens nas suas companheiras e nos aprendemos as posições de parir. São fornecidas as informações de como proceder em casa antes de irmos à maternidade, como caminhar, tomar um banho de banheira e aguardar um pouco. Esperar as contrações mais ritmadas para irmos à maternidade.

Enfim, o nono mês é um mês intenso e rico em informações. E isso é importantíssimo para a futura mamãe, pois, ao invés da ansiosidade, se adquire tranquilidade na reta final para a chegada do bebê.

Eu não tenho o que me queixar da forma como as coisas funcionam aqui, pelo contrario. Acho genial a separação de funções entre o médico obstetra e a enfermeira (sage-femme) e posso dizer, com toda segurança, que o obstetra age de forma mecânica, “fria” e realista, pois analisa os exames, conduz a parte “técnica” da gestação. Agem de forma estritamente profissional; isso me deu muita segurança em relação à minha saúde e bem estar do bebê.

Já as sage-femmes deram todo o suporte emocional e físico para encarar o dia do grande e primeiro encontro com a minha filha. Tenho um carinho enorme por essas profissionais e a elas sou imensamente grata por todo apoio que tive durante a gestação e no momento do parto. Sem contar que o trabalho delas ainda me acompanhou na amamentação e foi fundamental para que tudo desse certo.

Quer saber como funciona o pré-natal nos outros países? Clica nos links abaixo, vale a pena ler!




Minha Aquarela - Cintia, Suécia

Mamães na Itália - Daniela, Itália

Mix dos 30 - Daphne, Itália

Mother Love Database - Carol, Inglaterra

4 commentaires:

Dani a dit…

Ana, muito legal conhecer melhor como funciona por ai. Ja tinha acompanhado ao longo do teu blog, inclusive me lembrei do teu relato de parto, que achei lindo.

Aqui tb tem essa diferenciaçao medico/obstetra, e quem faz o parto, caso tudo ocorra bem é a obstetra. A minha foi excelente. No meu curso pre-parto nao ensinaram posiçoes de como parir, mas a obstetra, durante o parto, me perguntava se eu gostaria de mudar para tal e tal posiçao. So ia fazendo como ela dizia e foi divino.

Adorei seu comentario a respeito da nossa presidenta, quem sabe ela nao leia, hehehe

bjo!

Clarinha a dit…

Ana, adorei a iniciativa. Vou visitar os outros blogs também! Abraços de Jacarta!

Nivea Sorensen a dit…

Ana,
Adorei conhecer sua experiencia e seu blog. Ja estou acompanhando e vou incluir o seu link no meu post da blogagem coletiva.
Um beijo,
N.

Bianca Lanu a dit…

Olá, prazer!
Muito bacana essa movimentação!
Edito o blog Parto no Brasil sobre saúde materno-infantil e empoderamento feminino e postei essa blogagem coletiva por lá hj, confira:
http://partonobrasil.blogspot.com/2011/02/nos-ares.html
Parabéns pela iniciativa!
Abraços, Bianca Lanu.