20 janvier 2011

A biblioteca e as contadoras de historias

Eu, os livros e a biblioteca - Acho que nunca frequentei tanto à biblioteca quanto frequento aqui. No inicio era uma forma de fugir do tédio, ver gente, pegar alguns livros e tentar ler. Digo tentar ler mesmo, pois o meu francês, assim que cheguei aqui, era sofrido. Insistir na leitura era um desafio e eu tinha que romper a barreira do idioma.

Por outro lado, eu me sentia num refugio, num lugar familiar. O fato de estar numa biblioteca mexia com algumas recordações de infância, adolescência e vida acadêmica. Recordo-me que, quando criança, era levada pela minha tia a participar de algumas atividades ludicas na Biblioteca Publica do Paraná. Depois, íamos à Rua XV, em direção ao “Bondinho”. Por ali era estendido um rolo enorme de papel no chão onde as crianças podiam pintar com tinta guache. Lembro disso com certa nostalgia.

Quando fiquei grávida da Béatrice emprestei muitos livros da biblioteca Municipal de Laon, a Suzanne Martinet. Para mim, era vital entender o que se passava com o meu corpo e com o serzinho que crescia na minha barriga. Eu precisava estar preparada para as consultas medicas, com um francês previamente estudado. Os livros me socorreram nessa hora, pois la encontrei as informações que precisava e, de quebra, meu francês foi melhorando gradativamente.

E então que durante os nove meses de gestação fui frequentadora assídua do local. As “tias” atendentes já me conheciam, fosse pelo sotaque ou pelo barrigão.

A Béatrice, os livros e a biblioteca- Depois que a Béatrice nasceu fiquei um bom tempo sem ir. E, num belo dia, quando ela tinha 9 meses, uma amiga me convidou para irmos a uma outra biblioteca na parte baixa da cidade e que eu ainda não conhecia. Nesse outro lugar, além de livros, havia DVDs e CDs para emprestar. Pois bem, eu acabara de conhecer a “mediateca”.

E o mais legal é que boa parte da dessa “mediateca” – Biblioteque Municipal de Montreil - é destinado às crianças. Tem uma sala para os “petits”, com vários brinquedos de madeira, quebra-cabeças, bonecas, tapetinhos lúdicos e, logico, muitos livrinhos. E, para os crescidinhos, há uma outra sala com vários jogos e conta até com uma casinha de dois andares.

A partir desse dia passei a levar a Béatrice com certa frequência. E, hoje, mesmo nos dias frios, é uma excelente opção para sairmos de casa.

E, um dia desses fomos a uma terceira biblioteca (fica a 10 minutos de casa carro), que também é destinada às crianças. Assim como a mediateca, há salas para as crianças brincarem a vontade e com elementos que estimulam a imaginação. Tem uma peça que parece uma mini-casinha. Tem cozinha, panelinhas, mesa com fruteira e frutinhas de mentirinha, cadeirinhas, bonecas... Os brinquedos são de madeira e os ambientes simulam o mundo adulto para as crianças. Ela se esbaldou, adorou.

As contadoras de historias - Fora as divertidas idas às bibliotecas, passemos a frequentar, uma vez por mês, às rodas de contadoras de histórias. Chama-se “Bébé Bouquine” e o publico alvo é de 0 a 3 anos. E não é que a sala fica cheia de bebês e crianças?

Fora os livros, CDs e DVDs que emprestamos com bastante freqüência, há, também, os livrinhos comprados para abastecer a biblioteca da Béatrice.

Bem, falei tudo isso para chegar a este ponto: a sementinha para a Béatrice criar o gosto pela leitura esta sendo plantada. E o mais legal disso é que esta sendo feito de forma divertida e agradável. Não é sacrificio levá-la à biblioteca ou ler um livro em casa, ao contrario, é um prazer para mim. E, de quebra, continuo aprendendo com os livros, assim como foi desde a minha chegada à Laon. Sempre aprendo uma palavra nova, uma expressão diferente. Aos poucos começo a entrar no universo infantil francês, sejam nas palavras ou nos contos regionais (assim como existem no Brasil). Acho isso importante, pois, quando ela for à escola, eu terei que acompanhar o seu desenvolvimento e os livros infantis são fontes riquissimas de informações.

Nos duas estamos nos nutrindo de imagens e palavras! E ela vai além, pois os livros despertam a sua imaginação e a criatividade.

Eu fico feliz por perceber que ela, realmente, adora livros e que eles fazem parte do seu dia-a-dia desde bebê. Volta e meia ela deixa os brinquedos de lado para “ler”. Ou então, pede para eu ler alguns deles. Não importa o que eu esteja fazendo, dou uma pausa e leio a historinha solicitada. Penso que esse tempo passa tão rápido e que tenho que aproveitar cada etapa do seu desenvolvimento e essa é uma delas.

E, quanto à biblioteca, eu devo dizer que ela adora! Ela se sente em casa. Pega os livrinhos, senta no chão para folhear e os coloca no lugar (a maioria das vezes com a minha supervisão e insistência, senão vira bagunça!). Um dia desses uma Senhora ficou observando a movimentação da pequena, tira livro, “lê”, coloca no lugar, conversa. E a “tiazinha” da biblioteca virou-se para essa Senhora e falou, com todo carinho, que a Béatrice já era habituada aos livros, pois ela frequenta a biblioteca desde o ventre. Fiquei super orgulhosa com o comentário vindo de forma tão espontânea!

E, para não perdermos o costume, sábado passado foi o dia das contadoras de historias e la estávamos para curtir o tema escolhido: papais e seus filhotes. A Béatrice prestou atenção em algumas historias, circulou no meio das outras crianças, pegou alguns livros e deu trabalho na hora de ir embora. Esse é um dos programas que mais gosto de fazer com ela, é diversão na certa.

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PS: E as fotos do pinheirinho do natal à la Sucata estão no post Branco de Neve!

9 comentários:

Dani a dit…

Ana, que legal. E' uma forma de ir integrando a criança aos pouquinhos nesse mundo da literatura. Aqui perto de casa tem uma biblioteca, mas nao tem contadora de historias. Mesmo assim, pretendo ir la com o Leo também.

Bjo!

Nivea Sorensen a dit…

Oi Ana,
Eu sempre fui apaixonada por bibliotecas. Nunca nada me fascinou tanto quanto todas aquelas possibilidades ao alcance das minhas maos. E que lindo que a sua pequena ja possa usufruir de td isso.
Um belo exemplo.
N.

Cláudia a dit…

Belo depoimento o seu, principalmente se lido por uma bibliotecária :)

Livia Luzete a dit…

Uma das melhores coisas que vc está dando para o resto da vida da Bea é o gosto pela leitura. E isso é um tesouro!
Tive esse incentivo em casa e assim passei para os meus. É tão bom ir a biblioteca com eles, ou no caso da minha caçula, ela chega toda eufórica com algum que pegou ou na bilbioteca municipal ou na sala de multimeios da escola!
Beijokas.

Sarah a dit…

Oi Ana! Que máximo essa mediateca! E as contadoras de história, então... Demais.
Bento tem uma mini-biblioteca em casa, e não vejo a hora de organizar seus livrinhos em uma estante quando mudarmos para a outra casa. Realmente o gosto pela leitura é um dos maiores legados que podemos deixar para nossos filhos.
Ah, deixei selinho pra vc lá no blog, tá? Não sei se vc curte, mas fica pelo carinho!
bjos

Marilyn a dit…

Ana Paula,q delícia de blog... adorei sua visita! Vou ficar por aqui, bjão

Desconstruindo a Mãe a dit…

Oi, Ana!

As bibliotecas são uma delícia! E as livrarias amigas das crianças, em que a contação de histórias e o espaço planejado pra elas é convidativo são alguns dos nossos passeios favoritos!

Mas a amizade com os livros começou quando a Larissa tinha meses e ficava no meu colo vendo contar historinhas bem simples, de poucas palavras e aqueles livrinhos de levar pro banho, sabe?

Agora em relação à comida do maridón...hehehe, nem sempre as crianças curtem. Imagina, manjericão? Champignon? A Larissa tá numa fase muito seletiva...
E o Caio só come macarrão se for de letrinhas. Odeia macarrão! - Justamente o contrário do pai deles.

Voltando ao post... Não sei se conheces aquelas prateleiras pequenas chamadas de "cantinho da leitura". Aqui em casa passamos a que era da Larissa pro Caio e precisamos comprar uma estantezinha mais reforçada porque ela tem muitos livros.

Essa semana mesmo estamos numa fase de separar brinquedos e livros pros desabrigados do Rio de Janeiro e ela escolheu com carinho o que queria dar pro maninho, o que queria passar pra crianças maiores... Porque tem noção de que ele ainda não gosta de livros com poucas figuras e muitas letras.

Uma coisa legal de fazer é ciranda de livrinhos, em que as crianças troquem livirnhos com amigos. Aqui é bem comum!

E mais, tem a camapanha #doeumlivro. Conheces?

Beijo,
Ingrid

Livia Luzete a dit…

Passando par deixar um beijinho a vocês.

Dani a dit…

Ana, adorei seu texto da biblioteca e sua iniciativa de mãe. É tão maravilhoso ver uma criança que gosta de ler sem se sentir obrigada. Aqui em casa qdo os pequenso chegarem, imagino que vai ser eu de um lado com os livros e o Octávio do outro lado com as músicas de rock.rss
Saudades de vcês! Bjos e uma ótima semana, Dani