14 décembre 2010

O primeiro Papai Noel a gente não esquece...

Domingo... Dia de ficar em casa no quentinho enquanto o termômetro marcava 1°C. Pelo menos estava positivo! E, como não nevou e não estava, digamos assim, tããão frio, aproveitamos para ir ao Marché de Noël.

Foi um domingo de estréias. Eu, pela primeira vez, andei pelas ruas da cidade iluminada com a decoração de Natal e, a Béatrice, iria conhecer o Père Noël, o Papai Noel. Os compromissos e visitas de final de ano adiaram a nossa ida à tradicional feira de natal daqui da região. Então, ficou para este ano. Já a Béatrice, no ano passado, era muito bebê e achei melhor poupá-la do frio e do tumulto de gente.

Mal chegamos e logo começou a tocar uma musiquinha de natal e os olhares estavam atentos para o alto da Catedral. E la estava ele! O homem-aranha! Ops, o Papai Noel descendo agarrado numas cordas. A Béatrice olhava atenta para aquele ponto vermelho descendo sob holofotes. Nem piscava.


Olha la o pontinho vermelho! Oi!!?? Onde??

Nessa hora pensei “ela esta calma”, acho que não vai estranhar o bom velhinho. Além do mais, precavida, durante a semana mostrei a ela alguns livrinhos que falavam sobre o natal e, lógico, com varias ilustrações de Papai Noel. Ela já sabia, previamente, que ele era um sujeito que usa touca, tem barba branca, se veste de vermelho e tem um par de botas preto.

Pois é. Pensei que teríamos uma foto histórica: a primeira foto ao lado do Papai Noel! Mas, na verdade, ohohoho, o que sobrou foi isso:

Uma mãe com sorriso apagado, se esforçando em conter o choro apavorado da filha, que gritava “Chon, chon, chon” (traduzindo: “chão, chão, chão!). Enquanto isso, o Papai Noel ficou ali parado, com aquela cara de bunda paisagem. Ele até tentou ser simpático ao estender a mão para a Béatrice, mas a emenda saiu maior que o soneto! O desespero dela so aumentou!

Tadinha da minha Pitoquinha!

Finalmente ela se acalmou assim que saímos do lugar reservado para as fotos. Passeamos mais um pouquinho e voltamos pra casa.

No dia seguinte, conversei com ela e insisti em mostrar o livrinho que conta a historinha do bom velhinho. E ela não quis nem saber! Balançava a cabecinha e falava não-não! Por outro lado, arranjou um jeito bem original de substituir o Papai Noel por outro personagem que ela tem mais afeição. Agora quando pergunto onde esta o Papai Noel, ela responde “Jadã, jadã”!!! E vem com um livrinho nas mãos onde conta as estorinhas do “Benjamin, le nain de jardin”, que tem barba branca, chapéu vermelho e roupa verde!


Na cabecinha dela, Papai Noel e anão de jardim são farinha do mesmo saco, com uma diferença: o anão, hoje, tem mais moral que o bom e velho Papai Noel.






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Tecla SAP:


Jadã, para a Béa é “jardim”. Em francês a pronuncia é “jardã” e a gente escreve “jardin”!

6 décembre 2010

Tirando o atraso 4 - Siquim!

Volta e meia a nossa casa esta cheia de gente. Adoramos receber visitas, pois é sempre uma oportunidade para colocarmos as conversas e as risadas em dia, de fazermos uma comidinha diferente e de apresentarmos a pitoresca Laon.

Numa das nossas idas a Paris que convidamos a Aline, Ismael e Joaquim para passarem um “week-end” conosco. E, no ultimo final de semana de novembro, eles vieram abaixo de frio – de lascar diga-se de passagem – e com a neve que ensaiava chegar. Foi super agradável e apesar do frio la fora,  conseguimos dar um passeio pela cidade e demos uma esticada até Reims, capital de Champagne e que fica a 45 minutos daqui de casa.

Bon Appetit! - Para receber os nossos convidados, pensamos em apresentar um pouquinho do que andamos cozinhando por aqui. Comidinhas bem francesas (afinal, degustar faz parte do pacote de conhecer a França!) simples de fazer e que, certamente, não temos muito o habito de comer no Brasil.

Vou abrir um parêntese aqui para dizer que morar fora do Brasil nos coloca de frente para outro mundo: o culinário. E eu e o Ju estamos criando gosto pela culinária francesa. Sempre estamos lendo receitas e testamos as novidades na cozinha. Normalmente eu fico com a parte salgada e o Ju, um Formiga por excelência, se encarrega dos doces. E não tem jeito né? Já que moramos aqui, temos que nos habituar aos hábitos culinários da região e, estar na França, sem duvida, é um privilégio e tanto. Tenho aprendido a respeitar os ingredientes e temperos, o tempo de cozimento, a quantidade, pesos, medidas e até a estética de apresentação de um prato. E, quem diria, eu mal sabia fritar um ovo no Brasil!

E, no quesito comidinhas, rolou aqui no final de semana: torta de cenoura com massa folhada, frango ao vinho branco e “boeuf bourguignon”, que é a carne bovina cozida no vinho tinto. Fora o escargot, a lesma que todo francês come! Essa iguaria foi aprovada pelo Ismael e Aline!

Breves passeios - O frio dava todos os sinais que a neve iria chegar, mas ela resolveu ser boazinha ao aparecer so na segunda-feira. Por causa disso deu para dar uma esticada até Reims. Fomos a um dos locais que mais gosto, a igreja St. Remi. Essa igreja é conhecida por ter sido o local onde os reis francos eram coroados. Gosto da sua arquitetura e do seu interior, que difere das grandes Catedrais.

E entre uma foto e outra tivemos uma agradável surpresa! Um grupo de austríacos resolveu testar a acústica da igreja e começaram a fazer um coral. Isso nos pegou de surpresa. Eles começaram a cantar do nada e não estavam todos juntos, como a gente esta acostumado a ver um grupo em coro. Eles estavam meio espalhados na parte central da igreja (a nave), uns perto dos pilares, outros no corredor, outros entre as cadeiras. Foi lindo. Eu me segurei para não cair em prantos, tamanha a beleza e delicadeza das vozes que preenchiam cada espaço daquela igreja. Oportunidade impar. Adorei.  E a cena da hora: Ismael sentado bem no meio do coral, meio perdido e deslumbrado com o que estava acontecendo!

Já em Laon fizemos um passeio rápido, pois o “ar condicionado” que vinha do céu estava ligado no maximo. Muito frio! Passamos pela ruazinha principal que leva à Prefeitura em direção à Catedral de Laon. Visitamos o seu interior e voltamos para casa quentinha!

Siquim - Béatrice e Joaquim são parceiros, amigos e carinhosos um com o outro. E enquanto estão juntos é beijo daqui e abraço de la! A Béatrice ensinou o Joaquim a gritar. Vê seu eu mereço! O calmo Joaquim gritava e dava risada, interagindo com a Bê. Os dois brincaram de ler, de panelinhas, com os cubos. O Joaquim adorou os ímãs de geladeira de bichinhos. A Béatrice sempre ia onde ele estava e até engatinhava para fazer a mesma coisa que ele. Vê-la se comportar de forma tão receptiva e carinhosa me fez parar para pensar no irmãozinho que, em breve (!!!), iremos encomendar. Vai ser legal se ela se comportar como faz com o Joaquim.

Depois que eles foram embora, casa vazia, mais silenciosa. Como sempre ficamos meio perdidos, pois a gente volta a ser o trio maravilha. Da um vazio inicial. E acho que a Béatrice também sente isso pois acordou à noite e chamou pelo Siquim. De manhã, ao acordar, foi direto no quarto onde Aline e Ismael dormiram. Ela viu o berço e perguntou pelo Siquim!

Expliquei que o amigo Joaquim foi embora e prometi que eles irão se encontrar outras vezes para brincarem bastante. E, dentre as palavrinhas que a Béatrice fala, o “Siquim” já entrou na lista e é tão bonitinho de ouvir. Eu babo mesmo!

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PS: As fotos foram gentilmente cedidas pelo Ismael estão incriveis, lindissimas! Também pudera, estamos sem nosso aparelho fotografico (ja bem velhinho diga-se de passagem) e estamos, por enquanto, so na base do celular.