Domingo... Dia de ficar em casa no quentinho enquanto o termômetro marcava 1°C. Pelo menos estava positivo! E, como não nevou e não estava, digamos assim, tããão frio, aproveitamos para ir ao Marché de Noël.
Foi um domingo de estréias. Eu, pela primeira vez, andei pelas ruas da cidade iluminada com a decoração de Natal e, a Béatrice, iria conhecer o Père Noël, o Papai Noel. Os compromissos e visitas de final de ano adiaram a nossa ida à tradicional feira de natal daqui da região. Então, ficou para este ano. Já a Béatrice, no ano passado, era muito bebê e achei melhor poupá-la do frio e do tumulto de gente.
Mal chegamos e logo começou a tocar uma musiquinha de natal e os olhares estavam atentos para o alto da Catedral. E la estava ele! O homem-aranha! Ops, o Papai Noel descendo agarrado numas cordas. A Béatrice olhava atenta para aquele ponto vermelho descendo sob holofotes. Nem piscava.
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| Olha la o pontinho vermelho! Oi!!?? Onde?? |
Nessa hora pensei “ela esta calma”, acho que não vai estranhar o bom velhinho. Além do mais, precavida, durante a semana mostrei a ela alguns livrinhos que falavam sobre o natal e, lógico, com varias ilustrações de Papai Noel. Ela já sabia, previamente, que ele era um sujeito que usa touca, tem barba branca, se veste de vermelho e tem um par de botas preto.
Pois é. Pensei que teríamos uma foto histórica: a primeira foto ao lado do Papai Noel! Mas, na verdade, ohohoho, o que sobrou foi isso:
Uma mãe com sorriso apagado, se esforçando em conter o choro apavorado da filha, que gritava “Chon, chon, chon” (traduzindo: “chão, chão, chão!). Enquanto isso, o Papai Noel ficou ali parado, com aquela cara de bunda paisagem. Ele até tentou ser simpático ao estender a mão para a Béatrice, mas a emenda saiu maior que o soneto! O desespero dela so aumentou!
Tadinha da minha Pitoquinha!
Finalmente ela se acalmou assim que saímos do lugar reservado para as fotos. Passeamos mais um pouquinho e voltamos pra casa.
No dia seguinte, conversei com ela e insisti em mostrar o livrinho que conta a historinha do bom velhinho. E ela não quis nem saber! Balançava a cabecinha e falava não-não! Por outro lado, arranjou um jeito bem original de substituir o Papai Noel por outro personagem que ela tem mais afeição. Agora quando pergunto onde esta o Papai Noel, ela responde “Jadã, jadã”!!! E vem com um livrinho nas mãos onde conta as estorinhas do “Benjamin, le nain de jardin”, que tem barba branca, chapéu vermelho e roupa verde!
Na cabecinha dela, Papai Noel e anão de jardim são farinha do mesmo saco, com uma diferença: o anão, hoje, tem mais moral que o bom e velho Papai Noel.
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Tecla SAP:
Jadã, para a Béa é “jardim”. Em francês a pronuncia é “jardã” e a gente escreve “jardin”!



