16 juillet 2010

Ansiedade da Separação

Neste post aqui escrevi que a Béatrice passou pela fase da ansiedade de separação e que isso merecia umas palavrinhas a parte aqui no journal. O tempo passou e fiquei devendo essa. Eis que a Nágela me lembrou do post esquecido e resolvi retomar as minhas anotações.

Eu tinha lido sobre a tal “ansiedade da separação” e deu para entender que entre 6 e 9 meses, o bebê fica chateado quando os pais – e principalmente a mãe - não estão por perto. É nessa fase que ele começa a tomar consciência de que a mamãe é um par de tetas ambulantes, um ser “independente”, que sai dar umas voltinhas e que pode não voltar mais! E ai, bate o desespero e o choro chateado vem facinho, facinho!

Li os conselhos de como lidar com a situação:  explicar para o bebê que a gente vai se afastar um pouquinho mas que ja volta; reconfortá-lo quando retornar e, mais uma vez, conversar que estava logo ali, do lado, que mamãe não fugiu (nem as tetas!). Dizem que é a época de brincar de “esconde e acha”, aquela que a gente pergunta “cadê a mamãe? Achooooou”. Assim o bebê pensa que o sumiço (mesmo que isso seja a dois passos de formiga diante dele) é apenas uma brincadeira, não um abandono.

Ok. Entendi na teoria. Na prática a coisa foi outra e a minha paciência foi testada no limite.

E foi assim...

Recebemos visitas para as festas de final de ano e a casa ficou cheia. Béatrice, já com sete meses, se divertiu à beça. Brincou com os tios e amigos e até deu uma folguinha para eu e o Ju sairmos juntos (ta certo que era para ir ao supermercado, mas ja foi um grande avanço como primeiras saidas sem a nossa pituca). Não estranhou ninguém, pelo contrário, quando tudo voltou à normalidade, ela ficou meio “perdida”, pois faltou toda aquela atenção em torno dela. Era um monte de gente para pegar no colo e fazer gracinhas e, de repente, restou somente o papai e a mamãe.

Ela queria ficar comigo o tempo todo. Pensei “ela está sentindo falta da casa cheia, de ter outras pessoas com ela”. Procurei ficar mais tempo junto com ela, brincando e conversando bastante. O tempo foi passando e, aos 8 meses, a “carência” aumentou. Chorava se eu saisse de perto. Mesmo se eu estivesse no seu ponto de visão, a poucos passos de distância, isso já era motivo de choro. E não era um choro qualquer, ela chorava chateada, frustrada mesmo. Não bastava eu estar por perto, tinha que estar JUNTO, ao LADO dela o tempo todo.

E como sou adepta da idéia de não deixar bebê se esguelando chorando e sim de procurar entender o porquê da sua linguagem (mesmo que esta seja o choro), eu deixava as coisas de lado para ficar com a Béa. E quando eu digo que as coisas ficavam para depois, entenda-se: casa virada de cabeça para baixo em periodo pós-visitas, com muita coisa fora do lugar.

Para mim foi dificil me organizar e me dividir em 10! Lavar, passar, cozinhar, aspirar o carpet, limpar banheiros, lustrar o piso... Mesmo com a ajuda do Ju, sob a minha ótica de dona-de-casa-que-adora-tudo-brilhando, o nosso lar-doce-lar estava uma ZONA. Teve dias que o Ju chegou para almoçar e teve que contertar-se com pão e ovo. A única que passou incólume ao caos doméstico gerado pela ansiedade da separação, foi a papinha da Béa.

O meu lado Amélia ficou impotente. E até o meu lado mãe-zen ficou abalado, pois eu ficava chateada pelo fato da Béatrice não entender que eu tinha mais o que fazer em casa.  

Tentei convencê-la de que os desenhos que ela tanto gostava de assistir ainda eram legais e, assim, eu teria uns 40 minutos para fazer outras coisas. Só que ela não queria mais saber dos desenhos da Joaninha, e também não queria mais ficar sentada e comportada no tapetinho, como até então fazia.

E o passatempo dela passou a ser outro: ficar de pé o tempo todo. Ela não queria saber de engatinhar. Por mais que eu a incentivasse ficar de bruços, isso era motivo de irritação e choro.

Como ela não usou andador, a outra brincadeira da vez foi arrastar as cadeiras da sala de um lado para outro. E, lógico, com a minha constante presença, cuidando para que ela não caissse, se machucasse.

Para que eu fizesse as coisas em casa, varias vezes recorri ao sling. Eu “pregava” a Béa nas costas para fazer o almoço, colocar umas roupas para lavar e ajeitar as coisas em casa. E, também, comecei a levá-la para a cozinha. Estendia um cobertor velho no chão, abria o armário de “tapeware”  para ela fuçar no que quisesse e, assim, ela se distraia por uns instantes.

No final do dia eu estava um bagaço, pois o estado de atenção e alerta levam sim, uma mãe ao nocaute.

Não bastasse esse comportamento “mamãe eu te quero” durante o dia, à noite o seu sono ficou alterado. Ela acordava com qualquer barulinho e passou a acordar mais vezes para mamar também.

Não sei dizer quanto tempo isso durou, mas as coisas começaram a ficar mais claras depois que a Béatrice deu os seus primeiros passos.

Passada a fase de ficar em pé apoiada nos móveis e de arrastar cadeiras, ela passou a andar apoiada nas paredes, sofá e mesa de centro. Ela praticamente dava uma volta na sala inteira E, com isso ela passou a ir nos lugares onde eu estava. Ela passou a me seguir! E, com 10 meses ela deu os seus primeiros passos sozinha e daí por diante só progrediu.

Foi aí que eu entendi que a ansiedade da separação tem o seu lado bom, pois ela é antecessora de um grande salto de desenvolvimento da criança. A Béatrice queria  que eu estivesse ao seu lado para sentir-se segura. Era novidade para ela estar em pé e o seu desejo de andar. Aos poucos ela ganhou independência para locomover-se, mas antes disso, ela “pediu” para que eu ficasse ao seu lado.

Hoje eu entendo que, para ela passar para outra fase de seu desenvolvimento, ou seja, para ela tornar-se mais independente e tomar consciência de si mesma, ela teve essa fase “carente”. E a fórmula para passar por tudo isso é contar até 10, respirar fundo e repetir o mantra materno “ooooommmmmm, é só uma fase”....

14 comentários:

Renata a dit…

Fico besta de ver como essas mamies de fora do Brasil são poderosas...dão conta do bebê e de todo o resto. Nossa!
Eu ficava acabada só de cuidar do André, sem nem mexer no resto!
Parabéns por ser tão sensível às necessidades da pequena.
beijos, Re

Nádia a dit…

Ana Paula

Liiiindo esse post! Sincero, real, sensível, humano e cheio de sabedoria maternal!

Lendo me deu vontade de voltar no tempo, atravessar o Atlântico, me tornar sua amiga (real e não só virtual!) e te dar uma força!rsrsrs

Felizmente, vcs já passaram por essa fase e ficaram as lições e a sua generosidade em partilhar isso com outras mães! Tb passei por essa "fase", leia o meu post:

http://naubrincandodeblog.blogspot.com/2008/09/na-barra-da-saia-da-me.html

Fico feliz de ter ajudado com dicas montessorianas para o quartinho de sua Bea! Depois quero ver fotos e dicas suas tb!Obrigado pela leitura do meu blog!

Tudo de bom pra vcs!
Bjos!

Nágela a dit…

Querida Ana!!! Muito obrigada por ter escrito este post, estou muito mais reconfortada, porque é exatamente isso que estou passando com o Pedro, de 6 meses. Faço minhas as palavras da Nádia acima... Parabéns por ser uma mãe exemplar e compartilhar conosco suas experiências. O mundo seria muito melhor se todas as mães fossem assim dedicadas, estou sempre pensando nisso e tentando fazer o meu melhor...e me sinto muito feliz em encontrar pessoas que pensam assim também!
Mais uma vez, obrigada!!! E parabéns também pela filha linda e esperta que você tem!
Beijos,
Nágela

Fá, Mãe da Ana Luiza e do Grãozinho a dit…

Hahahahaha! Parece que estou "me lendo", lembro que um dia coloquei a Ana no sling pra pendurar roupa, só que ficou meio de mau jeito. No dia seguinte não conseguia levantar o braço!
hehehhe

Beijos

Lia a dit…

AMEI o post, me identifiquei totalmente! Emília começou com essa de querer atenção o tempo todo, e muitas vezes só sirvo eu. Às vezes ela tá toda tranquila no colo de alugém, daí me vê e começa a chorar,tipo "mãe, me tira daqui". É mole? Daqui a duas semanas ela começa na creche e provavelmente isso vai mudar. Mas em vez de tentar "desapegá-la" antes disso, simplesmente dou atenção quando ela quer. Se ela pede, é porque precisa, né?

Janaina a dit…

Oi Ana!
Nós não passamos por essa fase por aqui. O Nick sempre foi muito desapegado da gente, eu já cheguei a me preocupar com isso.
Acho que se colocasse o Nick em um sling ele morreria, rs. Eu sempre tive vontade de usar, mas ele nunca suportou nem colo.
rs, sou como vc, gosto de tudo no lugar e brilhando, mas depois do Nick tive que deixar de lado essa minha mania de organização e limpeza.
E tbm sou contra deixar BBs chorando seja pra que motivo for.
Bjs

Lu a dit…

Oi Ana Paula
parabéns pelo ótimo post. Sinto que a Mariana esta entrando nessa fase de ansiedade e vc deu ótimas dicas.

Qto a sua pergunta sobre Viena. Eu sei que existem algumas temporadas especiais de musica classica, mas não sou uma pessoa totalmente por dentro. Não porque não goste, mas por falta de tempo. A Mariana tornou-se prioridade absoluta em casa, e vc sabe como a gente se vira nos 30 para dar conta de casa, comida, etc. Até semana passada estava tendo um festival de musica classica toda noite na Rathaus (Prefeitura). Eu estive uma noite, mas acabei não assistindo o concerto porque comecava muito tarde. Era gratuito e todas as brasileiras que conheço dizem que foi maravilhoso. Todo ano tem essa temporada grátis.
Fora isso existem inumeras casas de espetaculo de musica classica. Ano passado fui ao Beethovenplatz e assisti uma apresentação da orquestra de Viena. Também tem a ópera que nessa época esta de férias, mas que tem espetaculos maravilhosos. Tem um post que eu fiz sobre um ballet que eu assisti o ano passado lá. A ópera de Viena é uma das coisas mais maravilhosas que existe nessa cidade. É imperdível. Normalmente nas sextas-feiras eles colocam um telão do lado de fora e ficam apresentando espetaculos para quem está passeando pela rua. Muito legal. Acredito que em qualquer época que vcs resolverem visitar por aqui, vão conseguir assistir algum bom espetáculo porque vendedores de tickets existem em cada esquina, praticamente tombando uns nos outros.
E se resolverem passear por aqui, me avise que faço questão de recebe-los aqui em casa.
Bjs
Lu

O mundo da Dani a dit…

amigaaaaaaa
como estao? aqui tudo bem graças a deus...

saudadessssssssssss

bjus

Isabella Isolani a dit…

Olá Ana!!

Fiquei muito feliz em tê-la como a mais nova seguidora do meu blog. Há tempos já venho aqui no seu jornal dar uma bisbilhotada quando posso...
Somos parceiras de filhotas de mesma idade e parceiras de sling (por sinal, exatamente iguais - é da AOBÄ o seu tb, né?).

Não acompanho seu jornal sempre, mas já li muito por aqui. Sobre o bafon da festa de 1 ano... tb passei por isso... a crise da separação - parece que estou passando por outra agora (não sei se existe a CRISE DOS 15 MESES?? bom, aqui em casa tem!! rsrsrs...)

Enfim... Passei pra dizer que fiquei "très content" de tê-la como minha seguidora, pois admiro MUITO sua força como mão ativa, consciente e completamente presente. Adoro ler seus textos, são divertidos e deliciosos de ler.

Parabéns pela filhota linda!!

Beijos, Isa e Ana Clara.

@line a dit…

Oi Ana!! Nosso Joaquim está bem nessa - "como assim ficar sozinho?!?!?" - bota a boca no mundo mesmo! Mas a gente sempre volta rapidinho em socorro do pequeno, e eu tenho mania de andar pela casa conversando com ele - "mamãe já vai voltar filho, só vou guardar isso ou aquilo...". Agora ele está começando a descobrir suas possibilidades de locomoção, ensaia para engatinhar, e se arrasta pelo chão e assim ele também dá seu jeitinho de ficar "coladinho" em nós. E é bem como vc falou, é uma fase, cabe a nós torná-la o mais tranquila possível aos pequerruchos, né? Adorei a foto de vcs duas na cozinha com o sling!! Beijão.

Sarah a dit…

Olá! Cheguei aqui pelo Viciados em Colo e adorei seu blog!
Meu filhote também passou pela ansiedade da separação - aliás, nem sei se ainda não saiu dela, kkkk!! Reconheci os "sintomas" porque aqui em casa foi a mesma coisa: Bento grudou em mim e, agora que aprendeu a andar, me segue pela casa. Ele já vai para a escolinha, e quando vou deixá-lo lá pela manhã é outra luta, ele não quer que eu vá embora...
Enfim, é uma fase mesmo dos pequenos. Resta a nós ter muuuita paciência e carinho para eles!
Estou te linkando, ok? Quando tiver um tempinho passa lá pra conhecer meu pequeno: http://maedobento.blogspot.com/
um beijo!

Mãe do Pitoco a dit…

Não é fácil mesmo, exige muita paciência da gente e muita calma. Mas quando vc menos esperar, a fase passa e ela começa a apresentar um desenvolvimento absurdo, entra numa nova fase. Beijocas nas duas e se agarrem bastante hihi

Helena Argolo a dit…

Sei bem como é, já lavei pratos com o Heitoe embaixo do braço, coloco ele no carrinho da Bandeirantes e empurro comigo pela casa... rs Mas qdo ele chora pq saí da sala, faço o que uma amiga recomendou, fico falando alto do outro cômodo, quase gritando "mamãe já volta", e tem funcionado... rs Espero que passe logo! Abraços, adorei o blog!

Cíntia Anira a dit…

Que post legal e educativo. Estou quase nessa fase e foi ótimo poder ler seu relato. Parabéns pelo blog! (a propósito, essa semana escreveram o nome da minha filha como "Beatrice" na natação, mas o dela é "Beatriz") heheheeh... Beijo, Cíntia