2 mai 2013

Uma historia banal e um convite para uma reflexão: o que você considera como violência? – *Da série de posts sobre Educação Não Violenta*


Quando? Como? Quem é violento? O qué violência? Uma palmada ou uma bater com a mão na mesa com força, com os punhos fechados de tempos em tempos é bem menos grave do que as cenas de violência que lemos e vemos diariamente nos telejornais ou infinitamente menos grave do que a explosão da bomba de Hiroshima...

Bem... Você acha isso?

Lagrimas, guerra e violência fazem parte da construção da historia da humanidade e do nosso cotidiano. Basta assistir ao jornal das oito para ver o desfile de noticias violentas. Eu fico com o estômago embrulhado e com uma sensação de revolta quando assisto algo na TV que tenha cenas de violência contra as crianças, principalmente quando elas são maltratadas pelos seus pais e familiares, pessoas estas que deveriam ser a sua principal fonte e referência de amor e compreensão. Eu me sinto mal e não muito raro choro. Choro pela dor alheia, pelo sofrimento e dor de uma criança; pela sua inocência e fragilidade... Pelo seu futuro. Então, se isto me afeta e me faz mal, eu poderia dizer que é violento para mim. Certo?

Então hoje eu vou apresentar uma historia bem banal. A historia de Pedro. E eu proponho que cresçamos junto com ele ao acompanhar os seus passos de vida.

A sua mãe o carregou durante nove meses e estava radiante por esperar um bebê. Por ele, ela parou de fumar. Mas chegou um momento que ficar sem o cigarro tornou-se insuportável e ela voltou a fumar. Ela preparou um quarto para Pedro. Ela trabalhou pesado para colocar todo o revestimento de papel parede e demorou um bom tempo para terminar. Ela sentiu uma contração dolorosa que apareceu de surpresa. Mas ainda não era o momento. Ela ainda tinha dois meses pela frente. Entretanto, ela passou dos seus limites. Ela praticou uma violência contra si própria.

Pedro nasceu. Nasceu no seu tempo, mas foi necessário o uso do fórceps e o seu cordão foi imediatamente cortado[i]. Seus pulmões se abriram brutalmente desencadeando o choro de dor. Seu rosto contorcido, vermelho, exposto à luz forte das lâmpadas acesas, seus punhos fechados com força não exprimiam a alegria e serenidade... Ele nasceu com violência[ii].

A mãe de Pedro precisava descansar. Ele foi levado para o berçário e lá outros bebês também choravam com os punhos fechados. Eram choros sem consolo.

Pouco a pouco, mamãe e bebê vão se conhecendo e os dias passam com uma rapidez incrivel. Pedro sorri, balbucia.

Aos 10 meses, ele começa a engatinhar. Mas ele está dentro do “chiqueirinho” e isto lhe faz chorar de raiva. Não havia liberdade para usar a força dos seus braços e pernas. E mais, os objetos do outro lado das barras é que ele gostaria de mexer  – a cadeira, a caixa, a esponja, o livro –  estão totalmente inacessíveis. Se ele pudesse tocar os objetos e explorar o ambiente, saberia que objeto era aquele que estava embaixo da cadeira. Saberia também que há outros objetos no ambiente, o que é pontudo, suave, grande, pequeno, frágil... Mas ele não pode fazer isso. Suas mãos estão aprisionadas.

Enfim, um dia ele começa a andar e sua mãe o tira do chiqueirinho com mais frequência. Mas toda vez que ele mexia em algum vaso ou nas tomadas, catálogos, recebia uma palmada na sua mão.

Ele chorava e ele aprendeu que, mesmo tendo apanhado, não deveria chorar e deveria segurar o choro. Isso era realmente difícil... Ele estava triste e deveria conter o choro. Tente e você verá. Talvez você mesmo esteja acostumado a este exercício. Mas este não era o forte do pequeno Pedro.

Então ele começou a fazer birras, pirraças... Ele se jogou no chão no dia em que foi impedido de mexer no despertador que fazia um tic-tac intrigante. A mãe abruptamente tirou o despertador de suas mãos e ainda avisou: “Na próxima vez que você mexer onde não deve, você apanha!”

Pedro aprendeu a ser comportado. E agora ele vai à escola. Mas hoje ele esta emburrado, com a cara fechada e de poucos amigos. Outro dia a professora ameaçou coloca-lo de castigo porque ele não queria tirar o seu avental de pintura. Diante da resistência do aluno, a professora deixou-o isolado num canto da sala. Pedro esperou, ficou quieto, não chorou e quando terminou o tempo estipulado, ouviu um consolo: “Isso não foi nada”. Seu coração batia forte, com violência, mas a professora nada ouviu, nada sentiu.

Quando ele estava na casa do seu amigo Felipe, os dois começaram a brigar. Felipe se defendeu e os dois bateram um contra o outro.

Aos cinco anos, Pedro certamente conhecia, sentia e sabia o quanto seus pais lhe amavam. Mas ele conheceu, igualmente, as violências. E elas se acumularam. Os socos, os tapas dados em Felipe foi a forma com a qual Pedro descarregou a violência que acumulou dos adultos.  

Temos observado que a violência física, emocional e psíquica dirigida às crianças durante a sua primeira infância, em nome de uma “certa educação” -  a tradicional, opressora, autoritária e que não ouve a criança com empatia - não respeita as necessidades de base essenciais:

  • de estar bem fisicamente;
  • de estar em segurança;
  • de ser livre;
  • de aprendizado;
  • de ser ativo.


Uma primeira conclusão aqui se impõe: a criança tem dor, o mundo é violento com ele quando as suas necessidades de base não são satisfeitas.

E o amor?  O que dizer de ditados como “doi mais em mim do que você” ou “quem ama, castiga”? Não seria melhor dizer: “quem ama, acolhe e responde às necessidades de base da criança.”

**

Nos próximos posts mostrarei que, no fundo, todos estamos cercados de pequenas violências diárias que sequer nos damos conta e a historia de Pedro ainda continua...





[i]  A prática de cortar o cordão logo após o nascimento foi banida nas maternidades de Londres , conforme o noticiado no Jornal Bom Dia Brasil, de 03 de maio de 2013. Segundo a reportagem "No Brasil, a Federação dasAssociações de Ginecologia e Obstetrícia também recomenda esperar para cortar ocordão umbilical, mas não há uma orientação unificada para os hospitais." Pena que a reportagem também não aborda o sofrimento da criança com a pratica do corte antecipado do cordão umbilical...
[ii] O trecho faz referência a Frederick Léboyer,  « Pour une naissance sans Violence », cuja tradução literal ficaria “Por  um nascimento sem violência”. No Brasil o livro recebeu o titulo de “Nascer Sorrindo”. Uma tradução bem mais suave, frugal e... Alegre. A linguagem francesa é direta, precisa, sem rodeios, sem floreios. O titulo do livro original cairia bem hoje em dia, graças a seriedade nas discussões e debates sobre a violência obstétrica praticada desmedidamente no Brasil.

**

O conteudo do texto é baseado no livro "Le cotidien Avec mon enfant", de Jeannette Toulemonde. O livro foi escrito sob a inspiração e experiências de Maria Montessori, ou seja, uma releitura.

30 avril 2013

Eu, minhas causas e ativismo discreto – Pela Educação e Comunicação Não Violenta - CNV


Que conselhos você daria para cada uma das situações abaixo?

Cena 1.

O casal vai jantar na casa dos amigos e leva junto a sua filha de um ano e meio. La pelas tantas, a criança, com sinais de cansaço, começa a mexer numa revista qualquer que estava ao seu alcance e começa a rasgar as folhas. O pai, sem sair da mesa de jantar, fala alto “Nãããão” mexa nessa revista. A criança olha para ele, mas não entende o comando e continua com a sua “travessura”. O pai levanta-se da mesa, vermelho de raiva, vai até a criança e da um tapa na mão dela, pega a revista e ainda avisa que lhe havia dito “Não”. A criança chora um choro sentido, cheio de medo e o seu coração bate forte e acelerado.

Cena 2.

As crianças brincavam na área de jogos de uma grande loja de moveis e decoração. De repente uma mãe esbaforida entra nessa área e da um safanão na cabeça de um menino e segue dizendo que já havia lhe avisado que era hora de sair dali. Ela segura o menino pelo braço e o arrasta para fora da área de lazer. A mãe não se sentiu intimidada com os olhares alheios.

Cena 3.

A filha adora brincar com duas amiguinhas da escola, que são irmãs. Sabendo o quanto é especial essa amizade, a mãe resolve convidar as meninas e seus pais para um jantar informal, seria uma ótima ocasião para conhece-los. As crianças comem pouco e querem brincar o tempo todo. A euforia se instala e elas não param de subir e descer a escada, correm pela sala e gritam o tempo todo “você não me pega, você não me pega!”. Enquanto uma mãe conversa com sua filha, explicando que é melhor falar mais baixo e sugere uma brincadeira mais calma, a outra grita e bate no rosto da filha para que esta se comporte na casa dos outros.

Cena 4.

A mãe perdeu as contas de quantas vezes pediu para sua filha, de três anos e meio, a andar calmamente na calçada ao invés de correr. O caminho da volta da escola é bem conhecido pela pequena e vai ver é por isso que ela se sente segura em dar as costas e correr em direção a uma pracinha que fica a poucos metros de distância. A mãe é zelosa e responsável, pensa nos carros que passam na rua e teme um eventual impulso da sua filha em querer atravessa-la. Cansou de prevenir. Cansou de explicar até que chegou o dia da explosão. Assim que a sua filha começou a correr, a mãe a pegou nos braços e foi direto para o carro e la dentro,  aos gritos, aos berros, repetia “quantas vezes vou ter que te explicar que NÃO é para correr na calçada, que é para andar ao meu lado!”. A filha assustada com o tom de voz, começa a chorar e pede, desesperadamente, para a mãe parar de falar e se acalmar.

**

Eu não inventei as historias acima, elas são fragmentos da realidade e são cenas de violência física, emocional e de humilhação dirigida às crianças.

As três primeiras eu vi com os meus próprios olhos e não tive como agir ou interferir diretamente, afinal, quem sou eu para meter na educação que cada pai resolve dar para o seu filho? Que da vonta de da... Mas confesso que fico muito incomodada e eu dou uns conselhos ou indiretas na medida do possível.

Custava o pai pegar uma revista velha para criança poder rasgar, brincar? Poderia ele considerar o horário avançado e o cansaço da sua filha e ter falado com ela num tom de voz calmo e acolhedor?

Para a cena 2... Bem que a mãe poderia ter avisado para o seu filho que o tempo de brincar estava acabando, que ela daria uns cinco minutos e que depois eles iriam continuar com as compras. Caso o filho não atendesse, ela poderia dirigir-se até ele e ter falado, na sua altura, que a chegou a hora de partir e poderia pega-lo no colo e desviar o foco da atenção, indo para outro lugar.

Para a cena 3... Como isso aconteceu aqui em casa, eu e o Junior demos um jeito de contornar a situação, falando para o casal que as crianças estavam felizes e que bastava explicar para as meninas que não era para correr e gritar pela casa. Eles ficaram meio sem graça com a nossa interferência, mas o tapa que a menina levou no rosto nos deixou realmente chocados. Foi impossível calar-se diante da situação.

Ta vendo como é fácil dar pitaco na vida alheia?

Acontece que eu assumo vergonhosamente a autoria da quarta situação: eu gritei histericamente com a minha filha, num tom ameaçador. A sua desobediência despertou o meu pior lado, aquele que esta bem guardado e que mal sei lidar, mas que tenho certeza que é um recalque da educação que tive, onde palavras também ferem. Sim, a violência também pode ser verbal e marca tanto quanto a agressão física. Em casa veio o meu choro, a minha culpa e o meu sentimento de impotência... Que raios de exemplo é este que estou dando para a minha filha?

A questão é: Como educar uma criança sem palmadas, tapas, chantagens, ameaças ou punições? E como fazer para manter a calma e o tom de voz mais baixo e educado na hora de chamar a atenção do filho?

Isto é possível? Sim, é. Mas é preciso ser humilde o suficiente para admitir que há erros na nossa forma de conduzir determinadas situações de conflito. Que temos os nossos momentos de cansaço e de paciência curta, mas que isso é um problema NOSSO. Não temos o direito de transferir para eles as nossas tensões. Que temos dificuldades para mostrar empatia para compreender e acompanhar seus sentimentos, principalmente nos momentos de picos de raiva e frustração.

Enfim, temos que nos esforçar diariamente para nos educarmos.

Por isso resolvi tirar o mofo do blog para dizer que hoje, 30 de Abril, é o dia da manifestação pela Não Violência Educativa e eu não gostaria que esta data passasse em branco.

Desde 2004, os pais da França, Bélgica e Suiça se mobilizam para debater sobre a educação não violenta. Varios ateliers, oficinas e conferências informais acontecem nos cafés, escolas, associações e até mesmo na casa de alguém disposto a falar sobre o tema e a ajudar os pais a mudar a forma de educar seus filhos. Muitos querem educar sem violência, mas não sabem como e por onde começar.

Por mais que eu não leve o jeito para ser ativista, daquelas que falam alto e em bom tom para todo mundo ouvir e que é capaz de mobilizar pessoas em prol de alguma causa, posso dizer que determinados assuntos mexem comigo de tal forma que não posso ficar calada. E é por isso que hoje foi dada a largada e neste mês de maio vou postar alguns textos e traduções sobre o educar sem violência porque eu acredito em mudanças, porque acredito que conseguimos dar o melhor de nos mesmos para os nossos filhos.

E ai, quem vem comigo?



"Se eu faço travessuras?
Eu não as faço. 
Jamais.

Eu experimento,

Eu descubro,

Eu cresço...

Seguido por um olhar atencioso.

Assim,  eu salto com os pés juntos na vida!"





30 de Abril

Jornada pela Não Violência Educativa

Aqui na França, lideram o movimento:
PEPS Magazine - http://pepsmagazine.com/
La maison de L'Enfant http://www.wmaker.net/maisonenfant/

**
O blog Ciranda Materna apoia a Jornada pela Não Violência Educativa! Clique aqui para ler as reflexões da Raphaela e as dicas de como é possivel educar sem bater! 

3 janvier 2013

Um ano se passou e...


Que 2013 seja repleto de descobertas assim como foi 2012!


E que você, filha querida, viva intensamente os 365 dias do novo ano que se inicia. Viva intensamente a fase mais linda e pura da sua vida: a infância. Eu e teu pai estaremos sempre ao seu lado para te apoiar, incentivar, encorajar, proteger e também impor limites de forma respeitosa e amorosa, um verdadeiro desafio Béatrice... Com você aprendemos a ter o autocontrole e a colocarmo-nos no seu lugar para compreender seus comportamentos. E eu garanto a você que esta não foi uma das tarefas mais fáceis deste ano que passou. Entendemos que às vezes é difícil ser criança especialmente quando os sentimentos explosivos de raiva e frustração aparecem de forma tão intensa. Mamãe e Papai aprenderam que, quanto mais o ambiente de casa estiver preparado de forma que você consiga fazer o que deseja por si e por conta própria, menos você se frustra e mais confiança ganha em si mesma. Você nos mostra o caminho natural do seu desenvolvimento. E pode acreditar filha, confiamos muito em você! Devo-lhe dizer que o seu terrible twos chegou com tudo no início de 2012, mas encerrou o ano muito mais compreensiva, amiga, parceira, prestativa e muito, mas muito amorosa. Você vem amadurecendo, no seu tempo, e hoje consegue lidar um pouco melhor com os seus sentimentos. Tenha certeza de uma coisa: eu e seu pai também amadurecemos internamente a cada etapa do seu desenvolvimento. Esta sendo encantador vê-la crescer e tornar-se essa pessoinha querida, observadora, meticulosa, alegre, cheia de autonomia, contadora de histórias e dona de uma personalidade forte e determinada. Acreditamos em todo o seu potencial... Ontem, hoje e sempre!

Com muito amor, seus pais,

Ana Paula e Junior



22 décembre 2012

Presentes de Natal feitos em casa

Ela pediu uma Cinderela e um carrinho para brincar com seu amigo Joaquim, que mora no Brasil... Estes são os presentes mais esperados e ja estão comprados. Poderiamos ter comprado a tal Cinderela ha mais tempo, mais preferimos fazê-la esperar e criar a expectativa de ganhar algo especial em datas especiais, como o aniversario e natal.

E demos, ainda, um outro passo, o inverso do caminho das lojas de brinquedos. Resolvemos fazer algo diferente: cada um fez um presente para ser dado de natal.

O Junior fez a cozinha da Bê e esta nos preparativos finais:



Eu arrisquei na costura e saiu um pijama com estampa de dálmata, com rabo e tudo (mãe, se você visse, ficaria orgulhosa de mim!). Está de bom tamanho para uma pessoa que nunca costurou na vida. O que a maternidade não faz hein? E mais, tomei gosto pela coisa e sonho em fazer a primeira boneca Waldorf para a Bê. Volta e meia eu a imagino brincar com uma boneca feita por mim! Bem, vai depender de muita prática, muitas horas de costura, bunda na cadeira, menos internet, mais concentração... Mas falando sério: estou animada com a nova habilidade e pelos dias de buracos nas meias estarem contados, já que agora piloto uma máquina de costura! E encerro o ano com o meu primeiro prêt-à-porter! Tchan, naaann


Agradecimento especial à Roselyne, amiga francesa muito paciente e que tem me ajudado nos primeiros passos da costura!
Béatrice também foi incentivada a presentear os outros e a fazer algo com as suas mãos. Durante o mês de dezembro ela fez vários trabalhinhos em casa e seguimos o roteiro do nosso Calendário do Advento, o qual continha a "tarefa" de fazer cartões natalinos.

Béatrice vendo os dias do calendario com as surpresas diarias.




Expliquei que ela faria uma supresa para os amigos da escola, que no Natal a gente oferece presentes às pessoas que a gente gosta. 

No primeiro dia eu peguei uma folha e lápis e anotei os nomes dos amiguinhos que ela ia ditando. E ela, espontaneamente, incluiu na lista o seu professor, a diretora, a professora do ano passado e duas tias que auxiliam os professores. No segundo dia recortei os papéis coloridos e fiz os moldes das árvores de natal. Ela fez as colagens e decoração em todos os cartões. No interior de cada um deles escreveu, à sua maneira, o nome de cada um dos colegas. Eu escrevia os nomes numa folha avulsa e ela os copiava. E ela fez isso com grande entusiasmo, aquele de quem vive a descoberta das letras. Percebi que faltavam alguns nomes e solicitei uma lista para o professor e, realmente, Béa esqueceu apenas cinco deles e, assim, conseguimos finalizar o trabalho.

E ontem foi o último dia de aula e ela entregou todos os cartões. Foi muito bom e gratificante ver os amiguinhos curiosos com o presente da Bê; foi muito bom e gratificante receber o sorriso e "merci" dos pais dos alunos. E... Foi muito bom e gratificante ver que a minha filha se lembrou da maioria das pessoas que a cerca e que fez algo de lindo para cada uma delas. E é este o espírito natalino que eu gostaria de implantar e preservar dentro da nossa casa, pois lembranças como essa é que ficam gravadas.

Sim, presentes podem ser comprados, mas podem ser especialmente preparados pelas proprias mãos.

Quanto aos presentes que resolvemos fazer em casa, tenho comigo que com neles vêm impresso algo que não se compra: o amor e o tempo despendido. Enquanto eu observo o trabalho do Junior, uma cozinha linda, delicada, de madeira, que imita uma cozinha real, vejo que ali tem um encantamento impar, único. Ela nunca encontrara uma cozinha tão linda em qualquer loja de brinquedos. Quando eu olho o pijama que fiz, com os traços costurados ainda meio tortos, bem a cara de uma principiante, tenho a agradável sensação de que o sorriso dela vira fácil quando estiver vestida de pijama-cachorro! Nunca vi um assim! E o melhor: fui eu que fiz!

**

E, por coincidência, a colunista da Folha de São Paulo, Rosely Sayão, escreveu um artigo muito bacana sobre pais que decidem fazer os presentes para os seus filhos e o texto reflete muito do que penso. O link esta aqui, mas eu aproveito para transcreve-lo:

"Neste final de ano, muitas crianças e jovens vão ganhar presentes, muitos presentes. Um sempre é pouco para eles, acostumados à fartura de mimos. Pelo menos dois, da mesma pessoa, é o que eles esperam.

E, de preferência, que sejam presentes saídos da lista de desejos --em geral, eles fazem a lista e dão aos pais.

Essa lista, aliás, deixa pais e parentes aliviados. É que comprar o que a criança já espera é uma garantia de satisfação para quem recebe, além de não dar trabalho algum para quem presenteia.
Nesses períodos em que as pessoas, em geral, não têm tempo disponível para usar com o outro, esse costume oferece um grande conforto.

Ao mesmo tempo, entretanto, há muitas crianças que irão ganhar presentes natalinos originais e criativos --ninguém terá igual.

É que os pais delas decidiram investir tempo, paciência e imaginação para confeccionar as lembranças especiais que darão aos filhos.

Uma coisa esses pais têm em comum: a dúvida a respeito da reação dos seus filhos quando receberem o presente. Vários deles acham que as crianças podem ficar decepcionadas e frustradas.

É que, em tempos de consumo desenfreado e lançamentos mil nesta época do ano, é claro que as crianças competem entre si sobre quem irá ganhar isso ou aquilo que se torna, não mais que de repente, um objeto de desejo de um grupo enorme.

Mesmo assim, esses pais acham que vale a pena. "É um modo de mudar um pouco o valor que minha filha passou a dar aos presentes que ganha", escreveu uma mãe.

Ela não sabe como foi que começou essa história: conta que a filha, de oito anos, sempre que recebe um presente pergunta quanto custou.
Essa mãe deseja que sua filha passe a valorizar, mais do que o preço do objeto recebido, a dedicação que a pessoa gastou para elaborar aquele presente.

Todos esses pais estão dispostos a correr o risco de receber caras feias, choramingos e recusas em troca do presente que darão.

É que todos eles têm uma convicção: a de que valerá a pena começar a mudar essa cultura de consumo em que a criançada entrou.

Vou citar alguns exemplos para inspirar os pais que têm vontade de fazer algo diferente para presentear os filhos neste final de ano.

Um casal que adora a arte da fotografia decidiu fazer um álbum de fotos temáticas da família desde o nascimento da filha, que tem nove anos. Os temas dos capítulos são bem interessantes: as cenas familiares mais desastradas, os momentos felizes, os choros, as tristezas, o espanto etc. Esse presente talvez não seja tão valorizado agora pela garota, mas um dia ela olhará para ele com ternura e gratidão.
Outra mãe decidiu aprender e fazer, em pouco mais de um mês, um vestido para cada uma das filhas, bordado com motivos desenhados pelas meninas quando eram bem menores.

Há também um casal cuja filha está interessadíssima nas letras. Eles compraram para ela livros com títulos que começam com todas as letras do nosso alfabeto, de A a Z.

Foi uma empreitada difícil, segundo a mãe, mas que deu em troca muita satisfação aos pais por terem conseguido realizar aquilo a que se propuseram.

E há uma quantidade enorme de pais que construíram brinquedos com sucata. Eu acho que eles se inspiraram nos próprios filhos.
Criança inventa brinquedos maravilhosos, não é verdade?
Considero esses pais corajosos, dedicados e, acima de tudo, amorosos. Eles aproveitaram uma boa oportunidade para investir no convívio familiar.

E eu aposto que, independentemente da reação de momento das crianças na hora da surpresa, eles estão colaborando para a construção de uma memória afetuosa do relacionamento entre eles e os filhos."

7 décembre 2012

Atelier de outono (parte 3) - Pintura e colagem com folhas

Como prometido, eis aqui a terceira parte do nosso atelier outonal (embora não pareça, ainda estamos na reta final desta estação!), no qual as mãozinhas trabalharam com pintura e colagens.

Toda vez que a mão da Béatrice serve de molde para alguma atividade, me vem à mente que mãos de crianças precisam estar ocupadas, pois elas são o seu meio sensorial de aprendizado. Como mãe, tenho a sensação de que ficarei emocionada quando, daqui uns anos, olhar suas pequenas mãos impressas nos trabalhinhos que ela faz. Desta vez suas mãos sentiram e brincaram com o outono: 

Suas mãos e parte do braço como molde da arvore
Pitura com cotonetes. Foram usados o guache e a aquarela.

Colagem das folhas

Mãozinhas ocupadas : )

Voilà! Cores e texturas de outono na tela!
Gosto muito quando fazemos os nossos painéis. Foi assim com o verão e, agora, com o outono. Este da foto foi feito em três dias. No primeiro dia a paisagem foi pintada; no segundo, colamos gravetos e as folhas (que ja estavam secas e quebradiças)colhidas nos passeios; no terceiro, finalizamos a pintura e colocamos um sol. Ficou lindo, lindissimo!

Eu não tirei fotos da execução da pintura, mas ela foi feita com rolo de espuma, uma pequena esponja, dedos, mãos e pincel! Ela usou de tudo um pouco!

O painel pendurado na parede do canto da arte

Folhas secas para a copa e gravetos para o tronco

Merece uma moldura né não?

5 décembre 2012

Calendário do Advento e as Mães Internacionais


Filhota gripada, com tosse catarrenta e nariz congestionado. Resolvi que seria melhor ficar em casa para melhor combater essas doencinhas chatas que fazem questão de aparecer no início do inverno. E quando ela fica em casa, evito ficar no computador e quando o faço é por pouco tempo, tempo conta-gotas. O curto tempo serve para dar uma olhada rápida no FB, comentar com poucas palavras, dar uma olhada no blogroll e e-mails. Nada de muitas elaborações.

Tudo isso para dizer que ontem foi um dia que não postei ou apareci aqui no bolg, mas saiu um post no Mães Internacionais sobre o Calendário do Advento ou calendário de contagem regressiva para o Natal, o qual passamos a adotar aqui em casa. Um novo ritual, um novo modo de esperar pelo Natal em família. Passa lá dar uma olhadinha no que estamos fazendo por aqui! 


E mais, aproveitem para prestigiar o recomeço do Mães Internacionais, com a página novinha em folha! Hoje o post ficou a xará Ana Paula Risson, que mora na Holanda, no qual ela apresenta a tradição e a festança do São Nicolau e de como as crianças holandesas se preparam para a sua chegada. Alias, vocês sabiam que foram os holandeses que levaram o São Nicolau para os Estados Unidos e la ele começou a se chamado de santa Claus? Vejam as semelhanças entre o São Nicolau e santa Claus e, de quebra, vivam conosco as tradições natalinas de outros países!
Tenham uma boa viagem (cultural)!

2 décembre 2012

Atelier de Outono (parte 2) - Atividades com elementos da Natureza - Folhas, musgos e frutos

Passarinhos feitos com marrons e feltro. Ninho de lã.

A correria para o Natal também chegou por aqui, mas eu não poderia deixar de compartilhar o que fizemos no outono, então la vai um fotoPost!

**
 
Marrom é uma espécie da castanha, fruto da castanheira e é a matéria base do doce marrom glacê. A sua forma é delicada e arredondada. A sua cor apresenta um delicado degradê: no centro é mais claro e o restante do fruto lembra a madeira escura.

O casal de passarinhos foi feito com os marrons colhidos durante o outono. Ganharam asas e bico de feltro e olhos de plástico, desses que a gente encontra em qualquer loja de artesanato. 

Além dos passarinhos, utilizamos o marrom para fazer champignons: 



Você vai precisar de:

Massinha velha para ligar uma semente na outra. A cola quente também pode ser utilizada.

Marrons para o chapéu do champignon e avelãs para a parte de baixo.

Utilizamos folhas e musgos para formar um abrigo para os champignons ou caminha como quis nomear a minha filha.

**

Marrons para fazer bichinhos:


Corpo de marrons e a liga com massinha.

Antenas de gravetos.

Asas com uma espécie de folha bem fina que servia de "saco" com algumas sementes dentro, como se fosse uma vagem. O detalhe: foi a Béatrice quem encontrou este tipo de folha/planta (eu não sei a espécie) num passeio que fizemos na volta da escola! 

**

E eis aqui a nossa exposição que fica na sala:

A arte e os livros relacionados ao outono

**

A inspiração para fazermos arte com elementos da natureza vieram daqui:


**

No proximo post, que sera o terceiro e ultimo, mostrarei as pinturas feitas com guache e colagens com folhas!

Bisous : )

29 novembre 2012

Atelier de Outono (parte 1) - Sentir, tocar, respirar e brincar com o outono

Sabe o que fizemos durante o outono?

Passeamos em alguns parques e fizemos caminhadas na Floresta de St. Gobain.

 

Vimos champignons diferentes.





 Enfiamos os pés nas poças de lama.



Sentimos o ar fresco e puro do mato.


Ouvimos o silêncio e o barulho do vento assoprando as folhas.

Vimos pegadas de animais. Seriam de javalis?

Contemplamos a natureza. Sentimos o frio chegar de forma doce e calma, ao mesmo tempo, imponente e irreversível. O verão, definitivamente, ficou para trás.
Não poderia faltar o abraço na arvore!

Catamos galhos, folhas, tocos, musgos, lascas de arvores, pinhas e mudas de samambaia.




Sentimos as texturas e comparamos as cores das folhas.

caixa sensorial de outono


 Demos risadas e...

...Fizemos arte: 
champignons feitos com marrons, avelãs e massinha velha.

Aguardem as cenas dos proximos posts : )

2 novembre 2012

Atelier Dinossauro (parte 3) - Caixa sensorial pré-histórica



Deixei a caixa sensorial por ultimo porque aqui ficaram reunidas as informações dos ateliers anteriores. Dinossauros, vulcões, lavas. Seres que não vivem mais na Terra e que não os encontramos em zoológico ou soltos por ai. Como eles viviam?

Utilizamos a lã para não fazer tanta bagunça e a atividade foi feita dentro de casa (o frio do outono já deu as caras...). Se fosse lá fora, provavelmente teria areia, terra e mais folhas.

Compramos alguns dinossauros de plástico pela internet num site especializado em artigos usados, pela bagatela de cinco euros.

Vulcão com lava de lã, um ninho feito de argila e uma noz
Planta: galho de arvore e folhas

Ninho, afinal de contas, eram oviparos.

Pedras, pinha, folhas e agua com tinta guache azul

Quase uma hora de brincadeira tranquila

Pergunta se ela gostou : D


**

O atelier Dinossauro foi uma forma de dar um pontapé inicial no que é conhecido como Educação Cósmica, que é ensinada nas escolas que adotam a pedagogia de Maria Montessori, mas deixarei este assunto especifico para o próximo post. Ainda teremos muitos outros ateliers aqui em casa para brincarmos de dinossauros, Terra, planetas, estrelas, homem das cavernas! Assuntos para uma infância e vida inteira!

Por ora posso dizer que trazer este conceito para dentro de casa me faz enxergar, como mãe e educadora, que é possível brincar com elementos simples, baratos e que tem um fundo pedagógico, com (muito) aprendizado e diversão. E o mais importante: mãos de crianças têm que estar ocupadas, trabalhando, criando, inventando! Também acho positivo ter idéias na hora de comprar brinquedos, livros e revistas que tragam informações adequadas para a idade dela e que vão além das panelinhas e bonecas. Quanta coisa bacana para descobrirmos juntas e até programarmos os nossos passeios em família!

Este atelier que fizemos desperta ainda mais o desejo de irmos às exposições e andei me informando, esta rolando uma exposição maravilhosa no Museu de Artes Naturais sobre os dinossauros. Iremos. E, quem sabe, no próximo verão, não role uma viagem à Lascaux... O berço da humanidade.

30 octobre 2012

Atelier Dinossauro (parte 2) - Formação da Terra e vulcões


Depois dos dinossauros feitos em papelão, das imagens de livros emprestados da biblioteca, assistimos alguns desenhos que tem a ver com a criação da Terra.

Durante a semana assistimos ao DVD da Era do Gelo 3 e o "Il etait une fois l'homme... Et la Terre fut" (Era uma vez o Homem... O nascimento da Terra, versão em português aqui). Preciso explicar que este último é um clássico dos anos 70 e temos a coletânea com seis DVDs. As imagens e as musicas são bem “retrôs”, mas o conteúdo é excelente e é uma forma bem leve de aprender historia. 

Enfim, resolvi arriscar. Achava que a Béatrice não iria entender ou gostar, afinal ela só tem três anos e meio. Acabou que o episodio do “il etait une fois” que fala sobre a origem da Terra, vulcões, os primeiros seres vivos, dinossauros, prendeu a sua atenção e assistimos juntas. À medida que o desenho passava, eu explicava num vocabulário bem simples e compreensível para a idade dela que: 

* No céu há muitas estrelas e planetas e tem um que se chama Terra e aqui é onde moramos (comprar um globo terrestre sensorial esta nos meus planos);
* No meio, no centro da terra tem uma bola de fogo;
* Os vulcões, quando acordados, expelem lavas e elas vêm do centro da terra.
* Vulcões também dormem e ficam quietinhos.

Depois dos desenhos, das imagens, fizemos dois vulcões. Um de massinha velha e outro com argila.
Catei as sobras de massinha e de argila

Fizemos dois vulcões

Uma colher de sobremesa de bicarbonato de sodio

Tinta guache vermelha (ou corante alimentar) + agua +  uma colher de sobremesa de vinagre + uma colher de café de detergente

Um vulcão em erupção! O chapéu é para lembrar do Helloween : )

Tudo bem que a lava ficou cor-de-rosa, mas que a experiência é interessante, ah isso é!